A chegada de uma frente fria a cidades que estavam sob forte calor provocou nesta quarta-feira uma ventania com rajadas de até 125 km/h em São Paulo e no Rio de Janeiro. O temporal deixou ao menos cinco mortos — dois no Rio e três em São Paulo —, além de quedas de árvores, desabamentos, apagões e transtornos no trânsito e no transporte público nas duas cidades. 'Cenário apocalíptico': Imprensa internacional repercute mortes e danos causados por vendaval no Brasil 'Difíceis de prever': Vendavais vão dar lugar a chuvas nos próximos dias, dizem meteorologistas Segundo meteorologistas, o fenômeno foi causado por um "gradiente de pressão" muito forte concentrado em um espaço territorial curto. Na prática, a frente fria chegou acompanhada de uma mudança brusca da pressão atmosférica, criando uma força intensa que empurrou o ar da região de maior pressão para a de menor pressão, gerando os vendavais.
Linha contínua de ventos Como o choque entre a frente fria e o calor das cidades foi abrupto e concentrado, formou-se uma frente de rajada, linha contínua de ventos fortes que se desloca mais rápido que tempestades e frentes frias comuns. No interior de São Paulo, a cidade de Itaporanga registrou rajadas de 124,9 km/h, acima do piso de velocidade que classifica um furacão (119 km/h). Segundo especialistas, os estragos não foram maiores porque se tratou de pulsos de vento, e não de uma ventania contínua. No Rio, a rajada mais forte chegou a 105 km/h. Impacto no Rio No Rio, duas pessoas morreram na Rua Doutor Júlio Otoni, em Santa Teresa, após a queda de um muro: o ex-jogador de futebol Tássio Maia dos Santos e seu amigo Vandré Cordeiro. Instantes antes, crianças que brincavam na calçada escaparam da tragédia. Em Mesquita, na Baixada Fluminense, uma pessoa ficou em estado grave ao ser atingida pelo telhado de um imóvel arrancado pelo vento. Metrô, trens, VLT, barcas e BRT tiveram a circulação interrompida, e o Aeroporto Santos Dumont ficou sem energia. Pontos turísticos também foram afetados: o Bondinho do Pão de Açúcar suspendeu a operação por segurança, e o telhado de uma estrutura do Fluminense, nas Laranjeiras, foi danificado.
Árvores e semáforos caíram na região dos Arcos da Lapa, agravando o trânsito na volta para casa. O Corpo de Bombeiros montou um gabinete de crise, e o Cemaden-RJ alertou que os efeitos da frente fria podem persistir até as 7h desta quinta-feira. Mortes em São Paulo Em São Paulo, a Defesa Civil emitiu alerta severo e orientou a população a evitar áreas descobertas e embaixo de árvores. O Corpo de Bombeiros registrou 40 quedas de árvores na Região Metropolitana da capital na quarta-feira. Em Santos, onde a rajada superou 111 km/h, uma pessoa em situação de rua morreu atingida por uma árvore na Avenida Almirante Cochrane; um muro de um prédio da Receita Federal e um armazém também desabaram no bairro do Paquetá. Outras duas mortes foram registradas no litoral e no interior paulista. Em São Sebastião, um homem de 50 anos morreu após o naufrágio de um barco de pesca no bairro Cigarras. Ele foi resgatado desacordado e não resistiu a caminho do hospital. Em Cesário Lange, um motorista de 62 anos morreu ao ser atingido por uma árvore que caiu sobre seu carro na Estrada José Ricci. Na capital paulista, a Prefeitura informou, por meio do Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas, que as rajadas chegaram a 70 km/h. O órgão atribuiu o temporal ao forte contraste entre o ar quente que predominava sobre parte do Sudeste e o ar frio trazido pela frente fria.
O Globo