Entenda como Textor tenta se manter no poder no Botafogo antes e depois de ser afastado
Os dias e horas desta semana que antecederam o afastamento de John Textor do comando da SAF do Botafogo mostram como o americano tentou e tenta a todo custo não perder o poder. O passo a passo de movimentações jurÃdicas se de bastidores ajuda a explicar as manobras para manutenção da ascensão do americano no futebol. Momentos antes de ser retirado da posição de CEO da SAF do clube, Textor foi ao encontro dos jogadores no Centro de Treinamento, pois já havia relatos de incômodo e risco de perda de atletas após o pedido de recuperação judicial.
Na quarta-feira, dia 22, Textor comunicou ao Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas que entrara com o pedido na véspera, mesmo depois de ser alertado que isso descumpriria a decisão da própria Câmara de Mediação da FGV. Para ir adiante no plano de recuperação judicial, já aprovado de maneira preliminar no tribunal, mas não definitiva, Textor precisava de autorização dos sócios da SAF via Assembleia Geral Extraordinária (AGE).
A Eagle Bidco, através do fundo Ares e da seguradora Cork Gully, que se tornou a administradora judicial e responsável pela revenda das ações da sócia majoritária, desautorizou Textor na sexta-feira, dia 17, antes da AGE. Embora entenda que a recuperação judicial era um caminho inevitável, o clube social não queria fazer a toque de caixa e com Textor no comando, mas não se manifestou no processo. Também não foi na AGE.
Movimentação polÃtica
Na terça-feira, dia 21, o americano deu andamento ao pedido. Um dia antes, representantes da Eagle foram à Assembleia no Nilton Santos e constataram que Textor não existiam garantias de que haveria a aprovação do plano na nova chamada da AGE, para o dia 27.
Depois da primeira chamada da AGE, a Ares entrou com nova medida protetiva, deferida pelo tribunal para que o movimento não fosse adiante sem a autorização dos sócios da SAF. Pela legislação, autorizar os administradores a confessar falência e pedir recuperação judicial é atribuição da Assembleia Geral.
Com o pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio aprovado sem esperar o novo encontro, o Tribunal Arbitral entendeu que mais uma decisão que deveria passar por ele foi descumprida, e determinou o afastamento de Textor de forma antecipada.
Na decisão, o tribunal ressaltou que outros atos irreversÃveis foram levados adiantes e afastou Textor nesta quinta-feira, dia 23, sem nem ouvir o contraditório da SAF, o que deve acontecer até o dia 29, com uma reavaliação da situação pela Câmara de Mediação da Fundação Getúlio Vargas.
Ainda foi revelado no dia 21 pela Eagle Bidco a existência de um contrato de possÃvel venda das ações da SAF do Botafogo em que Textor assina pelas três partes: além da própria SAF, a Eagle Bidco, que detém 90% das ações do clube, e a Eagle Football Group.
Mesmo após o afastamento, o Conselho de Administração da SAF se reuniu e elegeu Durcésio Mello como substituto no cargo de CEO para o lugar de Textor. Mais um movimento sem passar pelo Tribunal Arbitral. A intenção era não deixar a SAF acéfala. A Eagle Bidco também vai questionar a legalidade desse movimento. Enqunato isso, Textor viajou para o jogo do Botafogo contra o Internacional, em BrasÃlia.
