Entenda como posição de Trump sobre guerra com o Irã mudou para abertura de negociações

 

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Uma série de reuniões a portas fechadas entre os ministros das Relações Exteriores do Egito, Turquia, Arábia Saudita e Paquistão, em Riad, na Arábia, abriu caminho para a mudança de postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao Irã.

Uma reportagem do jornal Wall Street Journal conta que a comunicação começou através da inteligência egípcia, que conseguiu estabelecer um canal de comunicação com a Guarda Revolucionária na semana passada e apresentou uma proposta de suspensão das hostilidades por cinco dias. O objetivo era começar a pavimentar um espaço para o cessar-fogo.

Os Estados Unidos abriram o canal diplomático após os esforços dos intermediários, e Trump anunciou que as negociações estavam em andamento.

Apesar disso, mediadores árabes permanecem com dúvidas quanto à possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã em breve, dadas as divergências entre suas posições. Como condição para o fim da guerra, o Irã exige que os Estados Unidos e Israel se comprometam a não realizar futuros ataques. Os iranianos também exigem indenização pelos danos sofridos durante o conflito.

Nas negociações dos últimos dias, uma atenção especial tem sido dada à reabertura do Estreito de Ormuz, com a solicitação de que seja supervisionada por um comitê neutro. O Irã, no entanto, exigiu pagamento pela travessia de navios, assim como o Egito faz pelo Canal de Suez.

Essa ideia foi contestada pela Arábia Saudita, que se recusou a conceder a Teerã maior poder de negociação nas operações no Estreito.

Um dia após declarações contraditórias dos Estados Unidos e do Irã sobre as negociações, o governo iraniano afirmou nesta terça-feira (24) que as suas forças armadas lutarão 'até a vitória completa'. A afirmação é do major-general Ali Abdollahi Aliabadi, do Quartel-General Central de Khatam-al Anbiya, porta-voz do alto comando militar.

O Irã negou que quaisquer negociações estejam ocorrendo, mesmo com as notícias de que seu ministro das Relações Exteriores esteja conversando com outros chanceleres em toda a região. Os EUA afirmam que as negociações são indiretas e ocorrem por mediadores.

A televisão estatal iraniana citou Aliabadi dizendo:

'As poderosas forças armadas do Irã são orgulhosas, vitoriosas e firmes na defesa da integridade do Irã, e esse caminho continuará até a vitória completa'.

O general não especificou o que seria uma 'vitória completa', mas pareceu provável que os militares iranianos estivessem tentando alertar contra concessões em possíveis negociações com os Estados Unidos

Durante as conversas entre Estados Unidos e o Irã, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, informou secretamente ao enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, que o Líder Supremo Mojtaba Khamenei aprovou as negociações entre os dois países.

Ele também teria dado um aval para a busca de um acordo que terminasse o conflito, informou a emissora árabe Al Arabiya.

Khamenei teria concordado em negociar com Washington e chegar a um acordo. O novo Líder Supremo, nomeado após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em ataques aéreos conjuntos dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, teria concordado com um fim rápido da guerra, baseado nos termos do Irã.

Nessa segunda-feira (23), o presidente dos EUA, Donald Trump, decretou um cessar-fogo de cinco dias nos bombardeios a instalações de energia iranianas e afirmou que negociações 'produtivas' estão em andamento para pôr fim ao conflito.

O próprio Trump declarou que as negociações estão sendo conduzidas com 'um alto funcionário' que não é o Líder Supremo, sem informar quem seria. O Irã nega oficialmente que quaisquer negociações estejam em andamento.

Show de Shakira, Fórmula 1 e final entre Argentina e Espanha são canceladas por guerra no Irã

Testes de pré-temporada da Fórmula 1 em 2026 no Bahrein

Reprodução / Fórmula 1

A tensão no Oriente Médio com a guerra no Irã feita pelos Estados Unidos e Israel, que vem levando a ataques a bases americanas em outros países da região, gerou o cancelamento ou adiamento de diversos eventos que ocorreriam em países na região.

Um dos casos mais recentes foi um show da cantora Shakira, que se apresentará no Rio de Janeiro em maio na Praia de Copacabana, que deveria acontecer no Qatar foi adiado devido à 'situação regional', de acordo com a plataforma oficial de eventos Qatar Calendar.

A estrela pop colombiana tinha um show marcado para 1º de abril em Doha, como parte de sua turnê mundial.

O festival de música OFFLIMITS em Abu Dhabi, no qual a própria Shakira e Jonas Brothers se apresentariam no dia 4 de abril, também foi adiado para novembro, anunciaram os organizadores nesta terça-feira (24).

Já no campo do esporte, a Fórmula 1 cancelou duas corridas que ocorreriam no Golfo em abril devido ao conflito. São elas os Grandes Prêmios do Bahrein e na cidade saudita de Jeddah.

A partida entre o campeão da Copa América e Eurocopa, a superfinal entre Espanha e Argentina, que aconteceria no Catar, também foi cancelada.