São Paulo — O vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (MDB), afirmou nesta segunda-feira (26/10) que confia no processo eleitoral brasileiro e que o total de votos registrados depois das 17h “foi insignificante diante da diferença entre os candidatos”, após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) nas Eleições 2026.
Tarcísio de Freitas (Republicanos), o atual governador do estado e reeleito neste ano, segue em silêncio. “Trabalhamos para oferecer ao Brasil uma mudança que consideramos necessária, mas a maioria dos eleitores escolheu outro caminho, e respeito o resultado das urnas”, escreveu o vice-governador nas redes sociais.
Um post compartilhado por Felicio Ramuth (@felicioramuth) A extensão do horário de votação em todo o país foi decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após um pedido do Partido Trabalhadores (PT), em razão de denúncias de que diversas cidades do Brasil estavam com frota reduzida de ônibus nesse domingo (25/10).
A prorrogação gerou revolta entre alguns eleitores e apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro (PL), que alegaram interferência do STF no resultado das eleições. A capital paulista foi uma das mais afetadas, com cerca de 40% dos coletivos parados em garagens.
Conforme noticiado pelo Metrópoles, diversos eleitores das periferias da cidade foram afetados. Apesar da polêmica gerada sobre o pedido do PT e a decisão do STF, o candidato Flávio Bolsonaro também havia pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação da votação do segundo turno até 19h em municípios de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A justificativa apresentada foi que episódios de chuvas, alagamentos e falta de energia nas cidades teriam dificultado o acesso de eleitores às urnas. Ramuth disse que “causou estranheza” o próprio PL ter solicitado a prorrogação da votação, ainda que em locais específicos.
“Se havia alguma dúvida quanto a essa prorrogação, o mais coerente seria tê-la questionado antes da apuração dos votos, e não somente após a confirmação do resultado”, argumentou. Horas antes do resultado das eleições, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, classificou como “inacreditável” a decisão do ministro Cristiano Zanin de ampliar o horário de votação até as 19h e disse que o PT está querendo “tumultuar a eleição pela certeza da derrota”, segundo a coluna Vinícius Passarelli.
“É inacreditável o que está acontecendo. Primeiro, porque o argumento utilizado pelo PT é um argumento fantasioso.
Todas as cidades, os estados têm seus órgãos de monitoramento do transporte coletivo, seus centros de operação. Se você pegar as câmeras, por exemplo, de São Paulo, você vai ver terminais vazios, o transporte funcionando tranquilamente”, disse Tarcísio ao desembarcar em Brasília, onde acompanhou a apuração ao lado de Flávio Bolsonaro.
Conforme revelado pela coluna Demétrio Vecchioli, apenas 71,7% dos ônibus que atendem linhas municipais em São Paulo estavam em circulação às 13h20 desse domingo, de acordo com dados do Businfo, aplicativo que monitora o deslocamento desses veículos em tempo real por geomonitoramento.
No Rio de Janeiro, como comparação, a taxa era de 100%. O governador também falou que Zanin “atravessou” o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“De repente, atravessa uma petição, direto para o ministro do Supremo, que á uma decisão, faltando aí um, dois minutos para encerrar o horário de votação, ou seja, impossível de comunicar os cartórios eleitorais, às 17h você inicia os lacres do sistema. Ou seja, de repente ele dá essa decisão passando por cima do próprio Tribunal Superior Eleitoral, e o ministro que foi o advogado do PT”, afirmou.
Metropoles