Enquanto passageiros vivem caos e assédio no Galeão, autoridades fazem jogo de empurra da responsabilidade pelos problemas

 

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Um dia após O GLOBO mostrar o assédio a passageiros que desembarcam no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, o Galeão, voltaram a se esquivar ontem da responsabilidade pelos problemas encontrados no terminal. As equipes do jornal flagraram abordagens insistentes de taxistas, motoristas de aplicativo, engraxates e até de maleiros que oferecem câmbio dentro do saguão do aeroporto. No jogo de empurra, a Polícia Civil, por exemplo, afirmou novamente que apura com rigor crimes como ameças e câmbio ilegal. Mas destacou que a oferta irregular de serviços deve ser alvo “de fiscalização administrativa de outros órgãos competentes”.

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A corporação, que tem uma delegacia de atuação especializada no local, disse ainda que trabalha com apoio das polícias Federal e Militar. Enquanto que a concessionária RIOGaleão ressaltou ter proposto “reunião, que acontecerá nos próximos dias, com autoridades de segurança pública, para discutir medidas adicionais de ordenamento e aprimoramento da atuação integrada nas áreas públicas do terminal”.

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Além disso, a concessionária informou que planeja um novo fluxo operacional no desembarque, para ampliar a área controlada e melhorar a experiência no aeroporto. “A orientação aos passageiros é utilizar apenas os serviços oficiais disponíveis no terminal e, em caso de dúvida, procurar o balcão de informações ou os pontos autorizados das cooperativas e aplicativos, como a Uber, que tem caminho sinalizado no piso desembarque”, frisou em nota.

Pronunciamento futuro

No próximo semestre, a RIOGaleão será substituída pela empresa espanhola Aena, vencedora do leilão do último dia 30 que trocou de mãos a concessão do Galeão. A Aena, por sua vez, respondeu mais uma vez ontem que “se pronunciará futuramente sobre os planos” para o aeroporto.

Nos últimos dias, O GLOBO havia procurado também a Polícia Federal, que disse apurar a questão do câmbio ilegal, mas que não divulgaria informações sobre investigações em andamento. A Guarda Municipal, por sua vez, tinha dito que atua no entorno do Galeão, dando fluidez e fiscalizando irregularidades no trânsito.

Como mostrou o jornal ontem, afora as importunações, os passageiros são obrigados a presenciar discussões acaloradas por disputa de clientes. A reportagem testemunhou um limpador de tênis gritando para outro que iria “estourar a cara” dele e para ele “tirar onda com outras pessoas”. Em outro caso, uma briga entre um homem que oferecia carro de aplicativo e um carregador de bagagem quase chegou à agressão física. Um colega precisou intervir.