Relatório do Serviço de Pesquisa Econômica do USDA mostra que, entre 1987 e 2022, a produção agrícola cresceu 41% nos Estados Unidos e mais de 437% no Brasil, enquanto as áreas cultivadas seguiram direções opostas. A expansão da produção agrícola ocorreu por combinações distintas de produtividade e uso da terra nos dois países.
Enquanto os Estados Unidos produziram mais mesmo com redução da área cultivada, o Brasil associou ganhos de rendimento a uma forte ampliação das terras destinadas às lavouras. A comparação está no relatório ERR-367 do Serviço de Pesquisa Econômica do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), publicado em outubro deste ano.
O estudo reúne quatro décadas de dados sobre produção, uso da terra e políticas de conservação, embora algumas séries comparáveis cubram períodos menores. Entre 1987 e 2022, a produção agrícola dos Estados Unidos aumentou 41%, enquanto a área cultivada diminuiu 19%.
No mesmo intervalo, as áreas de pastagem cresceram 10% e as florestas avançaram 1%, conforme os dados reunidos pelo Serviço de Pesquisa Econômica. No Brasil, a produção agrícola aumentou mais de 437% e a área cultivada avançou quase 210%.
As pastagens cresceram 35%, enquanto a área florestal recuou 15% no período usado pelo USDA para comparar os dois países. Produção e área cultivada medem dimensões diferentes da atividade agrícola.
O volume produzido pode aumentar tanto pela incorporação de novas terras quanto por ganhos de rendimento nas áreas já utilizadas, razão pela qual a produtividade é necessária para entender como essas duas medidas se relacionam. No caso brasileiro, o relatório aponta uma combinação de expansão das terras agrícolas, ganhos de produtividade e conversão de áreas anteriormente cobertas por florestas ou pastagens.
Entre 2000 e 2024, mais de 52 milhões de hectares de vegetação natural foram convertidos para uso agropecuário, principalmente na Amazônia e no Cerrado. A conversão registrada pelo estudo inclui terras destinadas tanto a lavouras quanto a pastagens, portanto não pode ser atribuída integralmente à expansão de uma cultura específica.
O documento também informa que a taxa anual de desmatamento na Amazônia Legal ficou em 0,5% entre 2020 e 2025. Nos Estados Unidos, o crescimento ocorreu sem expansão da área cultivada.
O USDA relaciona esse desempenho aos aumentos de rendimento obtidos ao longo do tempo e destaca investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a adoção de biotecnologia entre os fatores associados ao avanço da produtividade agrícola. Esses resultados não permitem reduzir a comparação a um ranking entre as duas agriculturas.
O relatório analisa países com estruturas produtivas, condições territoriais e políticas públicas diferentes e não atribui a trajetória observada a uma única causa, embora identifique tendências distintas no uso da terra. Nos Estados Unidos, programas federais de conservação combinam a retirada temporária de determinadas terras da produção com incentivos a práticas aplicadas em áreas cultivadas, entre elas técnicas conservacionistas de plantio e o uso de culturas de cobertura.
O governo norte-americano destina, em média, quase US$ 6 bilhões por ano a programas de conservação agrícola, segundo a síntese oficial do ERR-367. O relatório, porém, não trata esse gasto como explicação isolada para os ganhos de produtividade.
Os estudos examinados pelo Serviço de Pesquisa Econômica encontraram efeitos que variam conforme a prática e o contexto analisados. Por isso, o documento não estabelece uma relação automática entre determinado programa de conservação e o crescimento dos rendimentos agrícolas observado ao longo das quatro décadas.
Para o Brasil, o relatório descreve instrumentos governamentais de conservação historicamente mais limitados em alcance, ao mesmo tempo em que registra a incorporação de critérios de sustentabilidade e de medidas destinadas a reduzir a conversão de florestas e recuperar pastagens de baixa produtividade.
Entre 2023 e 2025, o governo brasileiro forneceu uma média anual de aproximadamente US$ 933 milhões em crédito subsidiado para programas de conservação agrícola e reflorestamento. O estudo também registra iniciativas voltadas à preservação de áreas florestais e à recuperação produtiva de pastagens degradadas.
Dados de satélite considerados pelo USDA indicam, contudo, que entre 2022 e 2024 a maioria dos estados brasileiros apresentou redução na cobertura florestal protegida, contribuindo para uma perda líquida de florestas no país durante esse intervalo. O recorte de longo prazo ajuda a distinguir produtividade, produção total e ocupação territorial sem tratá-las como medidas equivalentes.
Uma área cultivada menor não significa necessariamente produção menor, assim como crescimento agrícola não informa, sozinho, se novas terras foram incorporadas ao sistema produtivo. O relatório também situa as diferenças de produtividade e uso da terra no contexto da participação de Brasil e Estados Unidos no comércio agrícola internacional, com atenção especial a produtos em que os dois países competem, como soja e milho.
A publicação não transforma essas trajetórias históricas em previsão para as próximas safras nem apresenta, em seu resumo público, percentuais diretamente comparáveis para cada cultura ou para todos os tipos de uso do solo. Esse detalhamento depende das tabelas, dos recortes temporais e da metodologia do documento completo.
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