Enfermeira e mãe carinhosa: Quem é Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos nos EUA - QTU Questões do Universo

Enfermeira e mãe carinhosa: Quem é Lindsay Clancy, acusada de matar os três filhos nos EUA

Fonte: Bandeira da fonte

É com bastante interesse que o mundo acompanhou, ao longo do último mês, o caso de Lindsay Clancy, a mulher que assassinou seus filhos em um estado de psicose pós-parto provocado pela negligência e pelos maus-tratos de seus profissionais de saúde responsáveis por seu acompanhamento.
Posteriormente, tentou suicídio.
O júri delibera sobre seu caso desde quinta-feira, dia em que acusação e defesa apresentaram seus argumentos finais.
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Lindsay tem 36 anos e é ex-enfermeira.
Nasceu em 11 de agosto, tendo sido criada em Wallingford, Connecticut (EUA), conforme informou o portal Biography.com.
Ela passou por um programa intenso de enfermagem no Hospital Geral de Massachusetts, estado em que viria a construir sua família com Patrick Clancy, seu ex-marido.
Em seguida, trabalhou como enfermeira obstétrica na mesma instituição por nove anos.
A mulher morava em Duxbury, no estado de Massachussetts (EUA), com Patrick.
Eles se casaram em 2016 e tiveram três filhos: Cora, de 5 anos, Dawson de 3 anos, além de Callan, o caçula de 8 meses.

Patrick e Lindsay Clancy
Reprodução/Redes sociais/Família Clancy
Lindsay foi descrita como uma mãe muito carinhosa até o nascimento do seu filho mais novo — mesmo que já tivesse começado a sentir ansiedade pós-parto depois do nascimento de Cora e Dawson.
Nessa época, após o nascimento do filho do meio, começou a fazer exercícios, meditação e terapia.
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Um mês antes de matar as crianças, a americana teria procurado a mãe, Paula Musgrove, e o marido para dizer que tinha "pensamentos sobre fazer mal às crianças", conforme relatou a rede britânica BBC.
Os sintomas incluíam alucinações e delírios, que teriam começado após o nascimento do seu terceiro filho.
Ela também começou a perder muito peso e ficou deprimida.
— Ela tinha insônia, estava perdendo o apetite.
Estava muito ansiosa e triste — disse sua ex-sogra, Susan, ao tribunal.
No dia em que assassinou as crianças, Lindsay teria brincado com eles ao ar livre e feito um boneco de neve, relembra o ex-marido.

Patrick disse, durante o julgamento, que a ex-mulher buscava ajuda médica com frequência e tomava diversos medicamentos.
Ele também disse se lembrar de Lindsay relatando que estava começando a ter pensamentos suicidas.
Depois que Clancy estrangulou seus filhos, ela se jogou da janela do segundo andar, o que a deixou parcialmente paralisada.

Mulher não nega assassinato
Clancy não nega ter estrangulado Cora, Dawson, e Callan, em sua casa, em janeiro de 2023.
A principal divergência entre defesa e acusação está no estado mental da enfermeira no momento dos crimes e, consequentemente, em sua responsabilidade criminal.
A defesa alega que a mulher é inocente por razões de insanidade.
Os advogados sustentam que Clancy sofria de psicose pós-parto e que, durante o episódio, ouviu uma voz que ordenava que matasse os filhos.
Segundo essa versão, o transtorno teria comprometido sua capacidade de compreender a realidade e as consequências de seus atos.
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A estratégia principal dos advogados de Clancy não é negar que ela tenha matado os filhos.
O argumento é que a enfermeira não deve ser considerada criminalmente responsável pelos assassinatos porque estava sofrendo de psicose pós-parto.
Já a promotoria apresenta uma interpretação diferente.
Os procuradores reconhecem que Clancy sofria de uma doença mental e que havia tentado suicídio, mas afirmam que isso não significa que ela estivesse incapaz de entender o que fazia.
Para a acusação, os assassinatos foram premeditados e Clancy tinha consciência das consequências de suas ações.
A acusação sustenta que Clancy planejou os assassinatos e era capaz de compreender as consequências de seus atos.
Essa distinção é fundamental para o júri.
A questão não é apenas determinar se Clancy sofria de psicose ou de outro transtorno mental, mas avaliar se sua condição a tornava incapaz de compreender a realidade e a natureza de suas ações quando matou os filhos.
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Outro ponto de divergência está no histórico de Clancy antes dos assassinatos.
A defesa afirma que ela tentou buscar ajuda antes do agravamento de seu estado mental e que o sistema de saúde falhou em oferecer o atendimento necessário.
Para os advogados, esse histórico reforça a tese de que a enfermeira estava enfrentando uma grave crise psiquiátrica.
A acusação, por sua vez, busca separar o histórico de problemas de saúde mental da capacidade de Clancy de compreender seus atos no momento dos assassinatos.
Para a promotoria, o fato de ela ter uma doença mental não é suficiente para comprovar que não sabia o que estava fazendo.
Onda de solidariedade
Se o júri decidir a favor da defesa, ela será encaminhada a um hospital psiquiátrico; caso contrário, passará o resto da vida na prisão, sem possibilidade de liberdade condicional.
Em casos como esse, Paul Mones, um experiente advogado de defesa criminal que já representou sobreviventes de abuso infantil, disse que há uma tendência entre os jurados de se identificarem com o pai ou a mãe frustrado, de compreender como crianças pequenas podem deixar uma pessoa desorientada.
É uma tendência que ele considera "desprezível".
Centenas de pessoas se reuniram em frente ao tribunal de Plymouth, em Massachusetts, para uma manifestação em apoio a Clancy, uma ex-enfermeira da área de parto cujo tratamento psiquiátrico foi tão descoordenado, segundo a defesa, que os médicos a submeteram a uma “medicação excessiva e terrível”, levando a alucinações auditivas perigosas.

— Qualquer um de nós que já lidou com saúde mental, ansiedade, depressão, depressão pós-parto, acho que todos sabemos que qualquer um de nós poderia estar no lugar dela disse — Renee Kimball, principal organizadora do protesto, a um veículo de notícias local.

As manifestações foram inspiradas por um apelo que ela postou nas redes sociais pedindo às pessoas que “se reunissem pacificamente em apoio a Lindsay”.
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Na internet, rapidamente surgiu uma espécie de certeza consensual em torno da noção de que Clancy foi uma vítima.
Qualquer análise séria da brutalidade central do caso foi subordinada à compaixão pela angústia que ela supostamente sentia.
Em alguns perfis no TikTok e no Instagram, em que o sentimento de solidariedade para com Clancy está em alta, teorias da conspiração — talvez nascidas da dificuldade em acreditar que uma mãe pudesse fazer algo assim — sugerem que talvez houvesse outra pessoa por trás dos assassinatos, mesmo que Clancy tenha confessado os crimes.

Parte do tratamento de Clancy foi realizado no McLean Hospital, em Belmont, Massachusetts, considerado uma das principais instituições psiquiátricas do mundo.
No entanto, a confiança nas instituições americanas em geral está em níveis recordes de baixa, e no sistema médico, em seu ponto mais baixo desde 1993, de acordo com uma pesquisa recente da Gallup.
Até certo ponto, esse ceticismo pode dificultar qualquer tentativa de considerar que os médicos de Clancy possam ter feito o melhor possível.
As opiniões sobre Lindsay Clancy seguiram linhas ideológicas menos previsíveis.
“Lindsay Clancy obviamente não é culpada”, anunciou recentemente a podcaster de direita Candace Owens.
“Há uma série de médicos que deveriam ser presos pelo que prescreveram a ela.” Owens aproveitou a oportunidade para condenar as empresas farmacêuticas, um verdadeiro flagelo em setores da direita atualmente, alegando que “elas sempre se safam impunemente”.
Um dia antes de publicar suas opiniões sobre levar crianças a shows de drag queens — uma prática que ela chamou de “repugnante” e uma ameaça ao “desenvolvimento” dos jovens —, Tiffany Smiley, ex-candidata republicana ao Senado pelo estado de Washington, enfrentou uma onda de críticas por comentários que havia feito na Fox News e no Facebook.
“Meu coração se parte por Lindsay Clancy”, escreveu ela.
“Nosso sistema de saúde falhou com as mulheres.”
Quando o comentarista político de direita Matt Walsh expressou indignação diante de opiniões como essas, argumentando que a psicose pós-parto não deveria ser considerada uma defesa e que talvez algumas mães fossem simplesmente “egoístas” demais para lidar com bebês difíceis, ele parecia estar sozinho nessa posição.

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— Não deveria ser controverso afirmar que uma pessoa que, metodicamente, executa três crianças, estrangulando cada uma delas até a morte enquanto as outras assistem horrorizadas, é alguém que deve ser punida com todo o rigor da lei, seja louca ou não — disse ele.
Diante das críticas de mulheres da direita, bem como do comentarista conservador Ben Shapiro, Walsh reforçou sua posição, chegando a pedir, posteriormente, a execução de Clancy.
Durante alguns momentos do julgamento de Clancy, surgiram expressões que pareciam ter sido criadas propositalmente para amenizar realidades sombrias, e que nem sequer vieram da defesa.
Ao testemunhar pela acusação, um psicólogo sugeriu que Clancy poderia saber exatamente o que estava fazendo — matar seus filhos em uma tentativa distorcida de protegê-los de alguma maldade desconhecida.
O termo usado para isso foi “filicídio altruísta”.