Endrick analisa concorrência no ataque da seleção e comemora início arrasador no Lyon: 'Ninguém aqui está surpreso'

 

Fonte:


O hat-trick na goleada do Lyon sobre o Metz por 5 a 2, no último domingo, arregalou os olhos da Europa sobre Endrick e chamou a atenção de muitos torcedores brasileiros, atentos ao movimento de carreira da joia ex-Palmeiras após deixar o Real Madrid.

Em um mês, são quatro gols marcados e uma assistência em três jogos no Campeonato Francês, o que lhe rendeu o prêmio de melhor jogador de janeiro na Ligue 1. Apesar de toda a repercussão, o atacante mantém os pés no chão.

Ao GLOBO, revelou um misto de expectativa para dar conta do recado no novo clube, para onde foi emprestado a seis meses da Copa do Mundo, e a confiança de que seu talento reapareceria.

— A minha expectativa era grande. Queria chegar e ajudar a vencer todos os jogos. Foi um jogo difícil na Copa (da França), mas passamos. Na liga, ganhamos bem nos dois jogos. Temos um time muito bom. Eles já tinham ganhado os últimos jogos antes da minha estreia. Ninguém aqui está surpreso. Vim ajudar um grupo ótimo a ficar melhor — afirmou Endrick, valorizando o trabalho coletivo do Lyon.

Foco na Copa do Mundo

Sobre objetivos pessoais e profissionais, o garoto de 19 anos não esconde o desejo de ser lembrado pelo técnico Carlo Ancelotti na seleção brasileira. A falta de minutos no Real Madrid o tirou do radar, mas agora ele crê que o chamado está mais próximo.

— A comissão da seleção sempre acompanha os brasileiros na Europa. São muitos, mas eles acompanham. Vou trabalhar para jogar todos os jogos, para ganharmos, e para eles sempre me verem vencendo — projetou o atacante, lembrado pela última vez por Dorival Junior.

Endrick e Carlo Ancelotti

Divulgação/Real Madrid

Nos três primeiros jogos pelo Lyon em 2026, já são quatro gols marcados. Endrick lidera o ranking de participações em gols (cinco) entre jogadores sub-20 das principais ligas da Europa.

Na última partida, anotou um hat-trick na vitória por 5 a 2 sobre o Metz. O feito o colocou como o brasileiro mais jovem a marcar três gols em um mesmo jogo na Europa, superando Ronaldo Fenômeno. O plano de jogar na França, até agora, tem dado certo, e Endrick revela que voltar ao Brasil não estava nos planos, sobretudo para aumentar as chances de ir à Copa do Mundo.

Os melhores jogadores das principais seleções, como França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Holanda e Argentina, além do Brasil, claro, quase sempre estão na Europa, jogando os melhores torneios. Para ganharmos deles, temos que jogar o máximo que puder contra eles. Não dá para pensar em voltar para o Brasil agora

Sobre o aumento dos holofotes e, consequentemente, da concorrência na seleção, Endrick se mostra tranquilo com a disputa, ciente de que ainda está no fim da fila.

— O Brasil sempre tem a maior concorrência do mundo no ataque. Quase todo ano revela um nome, e o número de vagas não aumenta. Não dá para inscrever dois times. Vini Jr. e Rodrygo são dois jogadores de nível mundial, jogamos juntos no maior clube do mundo, mas nenhum jogador é igual ao outro. Não é só corpo e habilidade. São as escolhas no campo. Arriscar. Se sacrificar. Muita coisa — conta.

Endrick mostra a camisa após marcar pela seleção brasileira

Omar Vega / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Adaptação e disciplina

Há quase um ano na Europa, o jovem se diz bem adaptado. E não atribui o pouco aproveitamento inicial no Real Madrid à mudança de país. O atacante revelado pelo Palmeiras chegou ao clube quando Ancelotti era o treinador. E, mesmo não sendo um habitual titular, era mais utilizado do que com Xabi Alonso, último técnico, que foi substituído por Álvaro Arbeloa.

— O Endrick já esteve na seleção, já foi convocado, já foi jogador do mister (Carlo Ancelotti) e tem o mesmo nível de avaliação dos demais. Inclusive, neste momento, todos os nossos profissionais estão na Europa, justamente fazendo essa varredura em todas as competições. Obviamente, no Campeonato Francês da mesma forma, porque temos o Endrick e outros atuando lá — explicou o diretor da seleção brasileira, Rodrigo Caetano.

Em função disso, Endrick mantém todo um trabalho para reforçar o que tem de melhor: força, explosão e faro de gol.

— A minha rotina é muito parecida. Clube, treino, recuperação, treinos em casa, tratamentos. A comida planejada. Pouco tempo livre. Isso não mudou — revela.

Sensação digital

O que mudou, claro, foi a vida pessoal. Membro da lista de atletas da Rock Nation, Endrick se tornou também um produto de marketing, atraindo marcas internacionais. Os seis vídeos postados pelo jogador nos Reels do Instagram chegaram a mais de 50 milhões de views em apenas 30 dias após a publicação da primeira postagem, que foi justamente sobre o anúncio de sua chegada ao Lyon, em collab com o clube.

Endrick e mulher, Gabriely Miranda

Reprodução Instagram

Esse número de views sobe para mais de 110 milhões se somadas as postagens do Lyon com imagens de treinos, lances de jogo ou entrevistas em que Endrick aparece ao lado do elenco. Assim, na página do clube, os views com vídeos de Endrick chegaram a mais de 60 milhões.

— É legal saber que muitas pessoas se interessam pelo que eu gosto, querem saber o que faço fora do futebol, que marcas querem me patrocinar, anunciar produtos comigo, mas eu nunca tive problema com isso. Sou eu mesmo que escolho o que vou usar e publicar. Acho que por isso tanta gente se interessa, porque sabem que sou eu mesmo. Não é muita coisa, mas é porque o meu foco é o trabalho, e eu trabalho com futebol — finaliza Endrick, sensação digital e agora também no mundo real.