Endometriose: por que a doença tem sido cada vez mais discutida por personalidades públicas
Com a proximidade do Março Amarelo, campanha de conscientização sobre a endometriose, especialistas e mulheres reforçam a importância de reconhecer os sintomas da doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. O tema ganhou ainda mais visibilidade com relatos públicos de celebridades como Anitta, Larissa Manoela, Isabella Santoni, Giovanna Ewbank, Halsey e Lena Dunham, que compartilharam experiências de dor crônica, diagnósticos tardios e impactos na qualidade de vida. Ao se manifestarem abertamente, essas mulheres ajudaram a quebrar tabus e a chamar atenção para uma condição ainda subdiagnosticada.
Fevereiro Roxo: como identificar sinais de doenças crônicas que até famosas enfrentam
Lipedema: conheça celebridades que vivem com a doença e saiba medidas que podem amenizar sintomas
A endometriose ocorre quando células semelhantes às do endométrio se desenvolvem fora do útero, atingindo ovários, trompas, intestino, bexiga e outras estruturas da pelve. Esse tecido reage às variações hormonais do ciclo menstrual, provocando inflamação recorrente, aderências e dor persistente. Apesar de comum, a doença ainda é pouco compreendida, o que contribui para atrasos no diagnóstico e anos de sofrimento silencioso.
Segundo o ginecologista especialista em endometriose Igor Chiminacio, um dos maiores desafios é o desconhecimento em torno da doença.
"A endometriose é uma condição inflamatória que se origina ainda na fase embrionária e pode se manifestar de forma progressiva ao longo da vida. Muitas mulheres convivem com dor intensa acreditando que isso faz parte do ciclo menstrual, o que atrasa o diagnóstico e o início do tratamento", explica.
Entre os sintomas mais frequentes estão cólicas menstruais incapacitantes, dor durante as relações sexuais, dor pélvica fora do período menstrual, alterações intestinais e urinárias cíclicas, além da infertilidade. Para o ginecologista e cirurgião geral Vinícius Araújo, a dor não deve ser normalizada.
"Dor menstrual que impede a mulher de exercer suas atividades, dor pélvica crônica e alterações intestinais no período menstrual não são normais. Esses sinais precisam ser investigados, porque podem indicar endometriose em estágios mais avançados", afirma.
A relação entre endometriose e infertilidade também é significativa. De acordo com o Dr. Igor, a inflamação crônica pode comprometer a anatomia da pelve e a função dos ovários e das trompas. "Esse processo inflamatório dificulta a fecundação e a implantação do embrião. O diagnóstico precoce é fundamental para preservar a fertilidade e ampliar as possibilidades de tratamento", ressalta.
Outro ponto que merece atenção é a endometriose intestinal, que pode ser confundida com doenças gastrointestinais. "Quando o intestino é acometido, a paciente pode apresentar dor abdominal, distensão, constipação ou diarreia, principalmente durante o ciclo menstrual. Por isso, a avaliação especializada é essencial para definir o melhor tratamento", destaca o Dr. Vinícius.
Para o ginecologista especialista em endometriose Cesar Patez, a conscientização promovida pelo Março Amarelo é decisiva para mudar esse cenário.
"A endometriose não é apenas uma doença ginecológica. Ela impacta a saúde emocional, a vida profissional e os projetos pessoais da mulher. Falar sobre o tema é encurtar o caminho entre os primeiros sintomas e o diagnóstico, reduzindo sofrimento e melhorando a qualidade de vida", acrescenta.
O tratamento da endometriose é individualizado e depende da gravidade da doença, da intensidade dos sintomas e dos planos reprodutivos da paciente. Ele pode incluir acompanhamento clínico, controle hormonal, mudanças no estilo de vida e, em casos mais complexos, cirurgia. O consenso entre os especialistas é claro: quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as chances de controle e preservação da saúde feminina.
