Endometriose pode ter relação com enxaqueca e ansiedade; aponta estudo feito com 1,4 milhão de mulheres
Um estudo internacional publicado na revista científica Nature Genetics em abril identificou 80 regiões do genoma associadas ao risco de desenvolver endometriose, ampliando significativamente o entendimento sobre a doença que afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo. A pesquisa analisou dados genéticos de aproximadamente 1,4 milhão de mulheres, incluindo mais de 105 mil casos diagnosticados da condição.
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Considerado o maior estudo genético já realizado sobre endometriose, o trabalho revelou 37 regiões genéticas até então desconhecidas pelos cientistas. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Yale, da Universidade de Barcelona e do Instituto de Pesquisa Sant Pau, entre outras instituições da Europa e dos Estados Unidos.
A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero. A condição costuma provocar dores intensas, infertilidade e outros sintomas, além de enfrentar dificuldades históricas de diagnóstico. Segundo os pesquisadores, o atraso para identificação da doença pode chegar a até dez anos.
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O estudo também apontou relações genéticas entre a endometriose e sintomas frequentemente associados à doença, como dor pélvica crônica, enxaqueca, ansiedade e náuseas. Além disso, os cientistas identificaram cinco regiões genéticas compartilhadas entre endometriose e adenomiose — condição em que o tecido endometrial invade a parede muscular do útero.
Outro avanço destacado pelos pesquisadores foi a identificação de possíveis tratamentos a partir do reaproveitamento de medicamentos já aprovados para outras doenças. Entre os remédios analisados estão medicamentos usados em tratamentos contra câncer de mama, contraceptivos e fármacos voltados à prevenção de parto prematuro.
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A pesquisa utilizou análises chamadas de “multiômicas”, que combinam genética, proteínas e estudos de tecidos para entender os mecanismos biológicos envolvidos na doença. Os resultados indicaram relações com processos de inflamação, regulação hormonal, remodelação de tecidos e funcionamento do sistema imunológico.
— Este estudo amplia substancialmente o mapa genético da endometriose e ajuda a compreender melhor os mecanismos biológicos envolvidos em uma patologia ainda pouco conhecida — afirmou o pesquisador Bru Cormand, da Universidade de Barcelona, em comunicado divulgado pela instituição.
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A autora principal do estudo, Dora Koller, destacou que a compreensão molecular da doença é essencial para acelerar diagnósticos e tratamentos.
— Se não sabemos o que acontece em nível molecular, é muito difícil desenvolver tratamentos eficazes ou melhorar o diagnóstico — disse a pesquisadora.
Apesar dos avanços, os cientistas afirmam que ainda não existe um teste genético disponível para diagnóstico clínico da endometriose. Segundo os autores, os resultados representam um passo importante para o desenvolvimento de abordagens mais personalizadas no tratamento da doença.
