Endometriose: como identificar e quais os principais riscos para a mulher
A campanha mundial de conscientização sobre a endometriose acontece neste mês, que ficou conhecido como Março Amarelo. A doença, em que um tecido chamado endométrio se espalha para além do útero e gera uma inflamação muito forte, teve um aumento de 76% no número de atendimentos básicos ao longo dos últimos três anos, segundo dados de 2025 do Ministério da Saúde.
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Em linhas gerais, a endometriose ocorre quando este tecido — semelhante ao revestimento de dentro do útero — se espalha para outras partes do sistema reprodutor, resultando em sintomas como dor pélvica, mudanças na menstruação e, em casos mais graves, até mesmo situações de infertilidade.
Mas afinal, como é possível identificar um caso de endometriose? Quais são os sintomas? Como tratá-la? Gustavo Leonel, ginecologista e professor de pós-graduação da Afya Educação Médica Curitiba, apresenta mais detalhes sobre a doença e as melhores formas de tratá-la.
Como identificar a endometriose?
“O principal ponto é que as pacientes não aceitam que dores de grande intensidade no período menstrual são normais. Cólica intensa nesse período não é normal, seja para menstruar, evacuar, fazer xixi e mesmo nas relações sexuais. Outro sintoma é a dor pélvica, na região abaixo do umbigo, que pode se estender por mais de três meses”, diz
“A dificuldade para engravidar também pode estar relacionada com um quadro de endometriose. Caso a paciente apresente algum desses sinais, é importante procurar o ginecologista, preferencialmente que seja especialista na doença”, afirma Leonel.
Como a endometriose surge e por que é importante tratá-la desde o início?
“Existem muitas teorias diferentes sobre a origem da endometriose. Porém, é importante dizer que ela é uma doença benigna, que não é um câncer, mas impacta muito na qualidade de vida das mulheres: é uma doença inflamatória e crônica que, quanto mais tempo a paciente demora para diagnosticar e tratar, maior será o impacto da inflamação. Quanto antes começar o tratamento, mais conseguimos diminuir a dor e retirar o estímulo para que não se torne algo crônico”, reforça o especialista da Afya.
Como funciona o tratamento da endometriose?
“O tratamento atua em duas frentes: a dor e a dificuldade para engravidar. Se trata de doença hormonodependente, crônica e inflamatória na qual é preciso um cuidado individualizado: pacientes que querem engravidar e aquelas em menopausa, por exemplo, exigem abordagens diferentes. A maioria dos casos se resolvem com o tratamento clínico, que inclui uma dieta anti-inflamatória, atividades físicas e o tratamento com hormônios contraceptivos e outros medicamentos”.
“Em geral, dois terços das mulheres que fazem o tratamento apresentam melhora; para aquelas que não obtém uma boa resposta, a cirurgia vídeo-laparoscópica é a alternativa para retirar as lesões”, explica Leonel.
