Encontro de Flávio com Trump mobilizou base bolsonarista, mas teve impacto neutro na percepção da campanha nas redes
A visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao presidente americano Donald Trump mobilizou apoiadores bolsonaristas, mas teve o impacto, em sua maioria, neutro na percepção sobre a campanha presidencial do parlamentar nas redes sociais, mostra um levantamento realizado pela consultoria Arquimedes e obtido pelo GLOBO. O encontro foi realizado ontem no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, e foi registrado a partir de uma foto postada nos perfis do senador e replicada por aliados.
Segundo dados coletados pela Arquimedes, o encontro mobilizou cerca de 250 mil publicações nas redes sociais até a tarde desta quarta-feira e envolveu aproximadamente 55 mil perfis. Desse total, cerca de 46% das publicações foram neutras, repercutindo a visita em tom informativo ou descritivo, enquanto as citações negativas representaram 29%, refletindo a opinião de parlamentares e aliados governistas. Já as citações positivas somaram 25% e foram referentes a postagens feitas por aliados do senador, muitas em tom de comemoração.
Como mostrou o GLOBO, dentro da pré-campanha de Flávio, a avaliação é de que o encontro com Trump ajuda o senador a retornar ao Brasil com um gesto político de impacto após semanas dominadas pela crise envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Aliados do PL avaliam que a imagem ao lado do presidente americano reforça a associação internacional de Flávio ao trumpismo num momento em que setores da direita passaram a discutir alternativas presidenciais ao senador, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).
Entre as postagens de bolsonaristas, também repercutiu, indica o levantamento da Arquimedes, a informação do pedido feito por Flávio para que Trump classifique as facções criminosas brasileiras como terroristas. Com a postura, o senador busca se diferenciar da adotada pelo governo Lula, acusado por opositores de ser leniente em relação ao tema.
— O principal efeito do encontro não está em seus desdobramentos concretos, mas no valor simbólico da imagem. Em meio ao desgaste provocado pelo caso Vorcaro/Banco Master, Flávio consegue se reposicionar diante da própria base como alguém ainda competitivo, respaldado internacionalmente e capaz de seguir no jogo. A reunião também ajuda a deslocar o debate de uma sequência de episódios negativos para uma agenda mais favorável ao bolsonarismo, especialmente no campo da segurança pública — explica Pedro Bruzzi, sócio da Arquimedes.
Comemorações bolsonaristas e memes da esquerda
Pelo X, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que esteve no encontro ao lado do irmão, ironizou comentários que diziam que a visita não aconteceria por não estar na agenda oficial de Trump. "Aconteceu e foi muito bom", escreveu o ex-parlamentar. Já Paulo Figueiredo, aliado bolsonarista que esteve presente na reunião, disse em uma publicação que o grupo iria "fazer todo o hemisfério grande", em referência ao lema do presidente republicano "Make America Great Again".
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Também pela rede social, o senador Sergio Moro (PL-RN), pré-candidato ao governo do PR, republicou a foto postada por Flávio junto da legenda "força e prestígio". Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) escreveu que espera que "o faccionado vire terrorista" e que "haja mais investimento tecnológico, acordos comerciais fortes e valorização do agro". "Importante aproximação", acrescentou.
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"Aconteceu o encontro que a esquerda tentou impedir", escreveu Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), vereador por Balneário Camboriú e também filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Meus irmãos Flávio e Eduardo sentaram com Donald Trump e levaram a verdade do Brasil, sem filtro e sem máscara", disse em um post.
Do lado da esquerda, críticas à visita foram proferidas por parlamentares governistas, como o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que escreveu que "os entreguistas servis bolsonáricos conseguiram posar com Trump". "Será que reforçaram um pedido por mais tarifas? Sugeriram de novo bombardeio na Baía de Guanabara? Uma 'forcinha' para a campanha, hoje enferma por vorcarite aguda?", disse na publicação.
Já o vice-líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ), publicou uma montagem da foto de Flávio, Eduardo e Paulo Figueiredo e os descreveu como "os três patetas com Trump". O momento também foi ironizado pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que também postou uma versão da foto na qual o senador aparece como um garçom que serve o presidente americano.
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"Alguém sabe me dizer qual foi o cardápio? Teve o Eduardo fritando hambúrguer também ou só quiseram entregar o Brasil de bandeja?", questionou Correia na legenda. Além dele, o pré-candidato a deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ) disse em um post que "Trump não se deu ao trabalho nem de ficar em pé e o 'irmão' do Vorcaro ficou no papel de papagaio de pirata".
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