Encomenda de dezembro chegando em abril? Repórter do GLOBO responde a leitor sobre crise dos Correios
"Correio tartaruga". Foi assim que o leitor Joaquim Quintino Filho, de Pirassununga, São Paulo, descreveu o trabalho da estatal ao receber, quatro meses depois, uma encomenda que deveria ter chegado no Natal. A repórter Geralda Doca, que cobre o tema, explica, no vÃdeo abaixo, como os Correios tentam reorganizar suas contas em meio a um prejuÃzo de R$ 8,5 bilhões registrado no ano passado, mais que o tripo de 2024. Uma combinação de aumento de despesas e redução de receitas provocada pela queda de qualidade do serviço.
CARTAS DOS LEITORES | 'Encomenda-tartaruga': os atrasos dos Correios
Baixa adesão: Correios encerram plano de demissão voluntária com adesão de 30% do total esperado
Estratégia: Correios adotam nova jornada de trabalho, de 12h por 36h, para aumentar entregas aos finais de semana
Entenda o contexto:
Os Correios acumulam rombos consecutivos nas contas desde o último trimestre de 2022. No fim de 2025, a empresa contratou cerca de R$ 12 bilhões em crédito junto a um pool de bancos, embora pleiteasse até R$ 20 bilhões para implementar seu plano de reestruturação. O Conselho Monetário Nacional (CMN) pré-aprovou um novo empréstimo de até R$ 8 bilhões em 2026 com garantia da União para os Correios.
A receita bruta da estatal em 2025 foi de R$ 17,3 bilhões, 11,35% menor que a registrada em 2024. Os Correios afirmam que o maior impacto para a queda de receita foi a redução de 65,6% nas encomendas internacionais, provocada por mudanças na tributação sobre importações de baixo valor – conhecida como "taxa das blusinhas". No total, as receitas com encomendas caÃram 0,5%.
Para tentar reequilibrar as contas, os Correios contam, além dos empréstimos, com a venda de imóveis ociosos, cuja expectativa ao final é levantar R$ 1,5 bilhão até dezembro. A empresa também tem investido na regularização das operações para a aumentar a qualidade do serviço e conseguir recuperar receitas.
O Ãndice de entrega no prazo ainda está aquém da meta de 96% em nÃvel nacional – foi de 80,55% em fevereiro. Alguns estados, porém, já bateram ou estão muito próximos do alvo, como São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Tocantins e Roraima. A conclusão da empresa é que a recuperação das receitas está em linha com o plano de reestruturação.
