'Encomenda', 'café' e 'suco': policiais usavam termos cifrados para pagamento de propina, segundo o MP
O grupo de policiais e ex-policiais acusados de integrar a segurança do bicheiro Rogério de Andrade usava as palavras "café", "suco" e "encomenda" para se referir ao pagamento de propina, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). Os suspeitos foram alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) nesta terça-feira. A Justiça expediu 20 mandados de prisão preventiva, um deles para o próprio Rogério, atualmente detido na Penitenciária Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
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Um dos trechos da denúncia do MPRJ mostra que dois dos acusados, o PM Ademir Rodrigues Pinheiro e o policial civil aposentado Francisco Carlos Cardozo "marcaram diversos encontros nos bairros da Barra da Tijuca, do Recreio dos Bandeirantes e de Campo Grande com o objetivo cifrado de beberem 'café' ou 'suco' juntos, pretextos para acertarem o pagamento da propina fixa destinada a Policiais Civis corruptos da 35ª DP". Segundo as investigações, em pelo menos duas ocasiões Ademir enviou seus subordinados — os policiais militares Julio Cesar Telles Barbosa e Leandro Oliveira da Silva — para tomar “suco” e “café” no seu lugar. "O verdadeiro teor dos encontros para beberem 'café' e 'suco', ou seja, pagamento de propina, fica evidente a partir da análise de outros diálogos", afirmam os promotores do Gaeco.
Os agentes, de acordo com a denúncia do MPRJ, também usavam o termo "encomenda" para se referir ao dinheiro do crime, "a exemplo do recolhimento e da subsequente distribuição do dinheiro auferido com a atividade criminosa ('encomenda'), da vigilância de ações legítimas das Polícias e das escalas de serviço, tudo sempre com o uso de linguagem cifrada e de codinomes".
Bicheiro Rogério Andrade
Reprodução
Proteção pessoal e dos pontos de bicho
A base da denúncia são conversas entre os policiais trocadas entre 2019 e 2021. O grupo investigado pelo Gaeco é formado por nove policiais da ativa, sete PMs da reserva, um policial penal inativo e um ex-policial penal.
Além de diálogos sobre escalas de trabalho, as conversas incluem a proteção do bicheiro e de familiares, além da segurança de pontos do jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis.
Chama a atenção o fato de que o chefe da segurança, Ademir Rodrigues Pinheiro, frequentemente alertava os integrantes do grupo sobre a apresentação pessoal dos policiais. Ele, segundo a denúncia, recebia R$ 50 mil para coordenar o grupo de seguranças do contraventor:
“Em relação à apresentação pessoal, apesar de eu concordar com essa lógica, isso parte do 00. Ele é extremamente educado, porém já vi ele esculachar funcionário por causa da vestimenta. Esculachar não com palavras, mas com atitudes, que é pior”.
