Técnicos do Ministério da Fazenda esperam que o empréstimo bancário de R$ 7 bilhões para os Correios seja liberado ainda nesta semana, passada a eleição que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A operação terá garantia do Tesouro Nacional, ou seja, se a estatal não pagar, caberá à União honrar a dívida.
A proposta de crédito foi apresentada por um sindicato formado por Citibank, JP Morgan, Deutsche Bank e Banco ABC Brasil. Como antecipou O GLOBO, o empréstimo teria custo efetivo de 114,26% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e prazo de 15 anos, com carência de 36 meses para o início do pagamento de juros e da amortização.
O CDI é uma taxa de referência do mercado que acompanha de perto a Selic, a taxa básica de juros. A direção da estatal busca executar um plano de reestruturação para tirar os Correios da crise financeira.
No primeiro semestre deste ano, a empresa teve prejuízo de R$ 5,6 bilhões, depois de fechar 2025 com resultado negativo de R$ 8,5 bilhões. O empréstimo faz parte desse plano, que prevê também um programa de desligamento voluntário (PDV), automatização da logística, fechamento de unidades e expansão de parcerias com o setor privado.
A meta é voltar a registrar lucro no fim de 2027. Em ofício encaminhado à Fazenda, a estatal afirma que a contratação está alinhada ao plano de reestruturação e que a oferta dos quatro bancos “mostrou-se a alternativa mais vantajosa para os Correios”, considerando custo financeiro, prazo, estrutura de amortização e aderência às necessidades da empresa.
Em dezembro de 2025, o Tesouro já havia avalizado um empréstimo de R$ 12 bilhões aos Correios, concedido por cinco bancos públicos e privados (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander). Os recursos foram usados para recompor o caixa, normalizar as entregas e regularizar compromissos financeiros da estatal.
Além disso, haverá um aporte de R$ 6 bilhões de recursos públicos que já foi incluída pelo governo no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, e a equipe econômica garante que o compromisso será cumprido.
O Globo