Empresas de transporte rejeitam esquema dos EUA para cruzar Ormuz após ataques

Empresas de transporte rejeitam esquema dos EUA para cruzar Ormuz após ataques

Fonte: Bandeira



Empresas de navegação estão evitando utilizar um esquema guiado por militares dos Estados Unidos para atravessar o Estreito de Ormuz após uma onda de ataques do Irã a embarcações na região, segundo disseram sete fontes dos setores de segurança e transporte marítimo.

Ao longo das últimas décadas, os navios entraram e saíram do Golfo Pérsico por um conjunto de rotas no centro do Estreito de Ormuz, estabelecido em 1968 pela agência marítima da ONU e conhecido como Sistema de Separação de Tráfego.

No entanto, desde o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em fevereiro, os militares iranianos instalaram minas na região, obrigando as embarcações a utilizarem rotas improvisadas próximas aos litorais do Irã e de Omã.

Em junho, a Reuters informou que os militares americanos estavam ajudando embarcações a atravessarem o estreito como parte de uma operação envolvendo dezenas de transferências sigilosas de petróleo de navio para navio.

O esquema, que visa manter o fluxo de exportações de energia do Golfo, utiliza drones aéreos e de superfície, além de helicópteros, para orientar os petroleiros.

A iniciativa apoiada pelo governo de Donald Trump permitiu a exportação de dezenas de milhões de barris de petróleo, ajudando a reduzir o impacto sobre os preços da energia da maior interrupção já registrada no fornecimento de petróleo e gás.

Ainda assim, armadores avaliam que a rota pelo lado de Omã do estreito está cada vez mais perigosa após uma onda de ataques contra embarcações.

A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou na terça-feira a autoria dos ataques contra dois superpetroleiros dos Emirados Árabes Unidos.

Cerca de cinco navios foram atacados desde 7 de julho — três superpetroleiros de petróleo bruto, um navio de GNL e um porta-contêineres — em águas de Omã abrangidas pelo esquema americano, segundo análise de incidentes baseada em dados da agência marítima da ONU.

Não estava claro se todos esses navios navegavam sob o esquema coordenado pelos EUA, disseram as fontes.

"A capacidade contínua do Irã de atingir navios que utilizam a rota pelo lado de Omã significa que a solução proposta pelo governo Trump para manter os navios em movimento dificilmente funcionará", disse Torbjorn Solvedt, principal analista para o Oriente Médio da consultoria de risco Verisk Maplecroft.

Um funcionário da Defesa dos EUA, sob condição de anonimato, afirmou que, nos últimos sete dias, mais de 100 embarcações coordenaram diretamente a passagem pelo estreito com os militares americanos e mais de 300 transitaram pela região de forma mais ampla, evidência de que os esforços liderados pelos EUA estão funcionando, embora o volume permaneça abaixo dos níveis anteriores à guerra.

O Irã ameaçou nesta quarta-feira interromper mais exportações regionais de energia após os Estados Unidos restabelecerem um bloqueio naval aos portos iranianos, enquanto ambos os lados intensificam os ataques na disputa pelo controle do estreito.

Teerã sinaliza que poderá usar os houthis, aliados no Iêmen, para fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, abrindo uma nova frente contra Washington e colocando em risco duas das mais importantes rotas marítimas do mundo.

Cerca de nove navios-tanque de GNL operados por empresas gregas, que entraram no Golfo por Ormuz na última semana para carregar cargas, ficaram retidos no interior do estreito devido às preocupações com a segurança, disse outra fonte do setor.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação na Truth Social na terça-feira que o Estreito de Ormuz "está aberto para TODO o tráfego marítimo, exceto para o Irã".

No mesmo dia, os militares americanos restabeleceram o bloqueio à navegação ligada ao Irã.

Na semana passada, o Centro Conjunto de Informações Marítima (JMIC, na sigla em inglês), liderado pelos EUA, elevou a classificação de risco para navios no estreito de "substancial" para "grave", um nível abaixo da classificação máxima, "crítico".

Os militares americanos não forneceram informações suficientemente claras sobre os riscos enfrentados pelos navios que utilizam a rota pelo lado de Omã, disseram cinco das fontes.

"Eles afirmam que o Estreito de Ormuz 'não está fechado' e continua disponível para uso", disse uma fonte de segurança marítima.

"Isso está deixando os operadores nervosos e inseguros.

Embora todos tenham de fazer suas próprias avaliações de risco, está claro que não é seguro.

Então, por que dizer que está aberto?"

A empresa grega de segurança marítima Diaplous informou em comunicado na terça-feira que o nível de ameaça continua elevado e recomendou que as empresas suspendam as viagens até sábado (18).

A Marisks, outra empresa grega de segurança marítima, afirmou em comunicado separado também na terça-feira: "Neste momento, não há garantia de que as travessias pelo Estreito de Ormuz possam ser realizadas com um nível aceitável de segurança."


Reuters/Stringer