Empresas de IA compram livros raros para treinar seus modelos, digitalizam conteúdo e destroem exemplares físicos

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Uma prática pouco conhecida dos bastidores da inteligência artificial está ganhando escala e preocupa livreiros e defensores da preservação de acervos. Empresas de IA estariam comprando livros físicos, digitalizando o conteúdo e, em seguida, destruindo os exemplares para alimentar seus modelos de linguagem. O método ganhou notoriedade após documentos judiciais revelarem que a Anthropic utilizou uma máquina industrial para remover as páginas de livros adquiridos legalmente, escaneá-las em alta velocidade e converter o conteúdo em arquivos digitais usados no treinamento de IA.

Agora, segundo reportagem do Futurism, empresas especializadas na comercialização de livros estão adaptando seus negócios para atender esse mercado. A ISBNdb, conhecida por manter uma das maiores bases de dados bibliográficas do mundo, passou a intermediar compras em massa de até um milhão de livros por encomenda para laboratórios de IA. A empresa afirma que livros impressos antes da popularização dos modelos de linguagem representam uma fonte de dados "limpa", livre de textos gerados por IA que hoje já contaminam parte da internet. A tendência, porém, desperta preocupação entre sebos e colecionadores. Um livreiro ouvido pela publicação afirmou que passou de vender cerca de 20 livros por semana para centenas, suspeitando que os compradores sejam empresas de IA. Segundo ele, parte do acervo inclui obras raras e fora de catálogo, levantando o temor de que alguns dos últimos exemplares existentes estejam sendo destruídos para alimentar modelos de inteligência artificial. Mas não precisa ser assim A destruição dos livros, porém, não é a única forma de digitalizar grandes acervos. Equipamentos especializados, como os desenvolvidos pela austríaca Treventus, conseguem escanear livros frágeis e raros sem desmontá-los ou danificar suas páginas.

A tecnologia é amplamente utilizada por bibliotecas, universidades e instituições de preservação de patrimônio, mostrando que já existem alternativas para converter obras físicas em arquivos digitais mantendo os exemplares intactos.

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