Empresas de fachada e rotas fluviais: como operava braço do CV ligado a 'núcleo político' do Amazonas
O esquema criminoso de tráfico de drogas ligado ao Comando Vermelho no Amazonas, alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Civil do estado nesta sexta-feira, utilizava "rotas fluviais e terrestres" para adquirir drogas da Colômbia e levá-las a Manaus a partir da criação de empresas de fachada. Segundo as investigações, o grupo somou movimentações financeiras que chegam a R$ 70 milhões desde 2018. Entre os alvos, estão pessoas que compõem um "núcleo político" da facção, com investigados que possuem acesso aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
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Entre os nomes que já foram presos até o momento está Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida (União), que não é alvo e nem investigado. Além dela, entre os outros 14 detidos — sendo oito no Amazonas —, estão um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) e ex-assessores de três vereadores. As informações são do portal de notícias g1.
Em relação à capilaridade política dos envolvidos, as investigações mostraram "indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais".
Relatórios de inteligência financeira também apontaram "incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica" declarada pelos envolvidos e pelas empresas vinculadas.
A operação
Denominada Erga Omnes, a ação investiga práticas que envolvem tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional. A ação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em Manaus e nas cidades de Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). O mapeamento da ligação com membros em outros estados foi feito a partir da extração de dados telemáticos de celulares.
"As diligências apontaram que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico", informou a Polícia Civil.
Além dos mandados de prisão e busca e apreensão, a polícia solicitou à Justiça a quebra de sigilo bancário e fiscal, o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos suspeitos.
