Empresário Marcos Molina usou 36 vezes heliponto do Palácio dos Bandeirantes sem pagar qualquer taxa

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O empresário Marcos Molina, fundador da Marfrig, hoje MBRF, utilizou 36 vezes o heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, desde 2024, sem pagar taxas. Em duas ocasiões neste ano, ele aparece nas listas de passageiros ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). As informações foram reveladas pela Folha de S.Paulo, com base em documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

Molina é o empresário com maior número de registros de pousos e decolagens na estrutura estadual. O dado chama atenção porque o heliponto, administrado pela Casa Militar, é um equipamento público destinado prioritariamente a atividades institucionais, mas também recebe aeronaves particulares mediante autorizações concedidas sem critérios objetivos divulgados.

A assessoria de Molina afirmou à Folha que a utilização ocorreu “exclusivamente para fins de embarque e desembarque, mediante autorização prévia e conforme as regras aplicáveis, não estando relacionada a agendas institucionais”.

A declaração torna ainda mais necessária uma explicação do governo paulista: por que um empresário teve acesso gratuito, em 36 ocasiões, a uma estrutura pública para deslocamentos que, segundo sua própria assessoria, não estavam relacionados a compromissos oficiais?

Governo Tarcísio não explica tratamento dispensado a Molina

Segundo a Folha, empresários aparecem 164 vezes nos registros do heliponto entre 2020 e junho de 2026. Desse total, 94 ocorrências foram registradas durante a gestão Tarcísio, sendo 36 relacionadas a Molina.

O fundador da Marfrig responde, portanto, por mais de um terço dos registros empresariais realizados no atual governo.

A administração estadual afirma que particulares podem utilizar o heliponto por razões de “conveniência administrativa” e sustenta que existe uma política de cooperação e reciprocidade, pela qual o Estado também utiliza gratuitamente estruturas de outras instituições.

Entretanto, o governo não esclareceu especificamente as autorizações concedidas a Molina, tampouco as circunstâncias dos dois registros em que ele aparece ao lado de Tarcísio.

A ausência de explicações levanta dúvidas sobre a impessoalidade das decisões administrativas e sobre a possibilidade de tratamento privilegiado a empresários com acesso ao governador. Os registros, por si só, não comprovam qualquer irregularidade, mas justificam a exigência de transparência.

Outros empresários e políticos também utilizaram a estrutura

Entre os empresários que aparecem nos documentos estão integrantes da família Labibi, antiga proprietária da FMU, com 32 registros, e Roque Felício Júnior, do Grupo Vida, com 18. A lista inclui ainda Alexandre Costa, fundador da Cacau Show, e Carlos Sanchez, da farmacêutica EMS.

Entre os políticos, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, aparece em 92 registros. Também constam o prefeito Ricardo Nunes, o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Flávio Bolsonaro.

A reportagem revelou ainda que João Gabriel de Mello Yamawaki, posteriormente investigado por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC, recebeu autorização para pousar no Palácio em 2022, durante a gestão João Doria. Na ocasião, o objetivo seria facilitar seu deslocamento até uma partida de futebol no Morumbi.

Questionado, o governo Tarcísio não informou se modificou os protocolos de autorização depois que o caso veio à tona.

Uso de patrimônio público exige transparência

O advogado Saulo Stefanone Alle, doutor em direito pela USP, afirmou à Folha que decisões discricionárias não podem ser arbitrárias e que seus motivos “devem ser verdadeiros e estar claramente expostos”.

Esse princípio é particularmente relevante no caso de Molina. O empresário não apenas lidera os registros de utilização privada do heliponto, como também aparece em deslocamentos ao lado do governador.

A questão não é apenas a ausência de cobrança, mas a falta de transparência sobre quem recebe autorização para utilizar uma instalação pública e por quais razões.

O governo Tarcísio precisa explicar quais interesses públicos justificaram os 36 registros de Marcos Molina no heliponto do Palácio dos Bandeirantes e por que esses deslocamentos foram autorizados sem cobrança de taxas.

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