Página inicial do site do Instituto Conhecer Brasil, ONG ligada à empresária Karina Ferreira Gama, produtora do filme sobre Jair Bolsonaro Reprodução O Instituto Conhecer Brasil (ICB), da empresária Karina Gama, alegou à prefeitura de São Paulo “dificuldades em estabelecer acordos e parcerias internas” e “articulação de alguém que tenha acesso aos comércios e entidades locais para adentrar nos territórios” para justificar o pedido de pagamento adiantado no contrato para a instalação de pontos de wi-fi em áreas pobres. O contrato estipulava uma cobrança de R$ 1.800,00 por ponto, seis vezes mais do que a prefeitura havia pagado para ação semelhante da Prodam, a estatal municipal de tecnologia. Dino retira sigilo de investigações sobre desvio de emendas parlamentares para 'Dark Horse' Sem citar Moraes, PF questiona quem é ‘Andrei’ e ‘Paulo’ em mensagem enviada por Vorcaro ao ministro
Karina Gama também é sócia da produtora GoUp, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela também é sócia de outras pessoas jurídicas que foram beneficiadas com emendas parlamentares de deputados bolsonaristas. A documentação sobre seu contrato com a prefeitura de São Paulo motivou a instalação de um inquérito na Polícia Civil de São Paulo, cujos autos foram requisitados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e tornados públicos neste domingo (13).
Segundo a documentação de justificativa da ICB, há 1.709 favelas em São Paulo, a maioria delas na região sudeste da cidade, em volta dos complexos de Paraisópolis e Heliópolis. Essas são áreas com intensa atuação de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), mas organizações criminosas não são mencionadas no documento. O ICB argumentava que a “desconfiança existente nas comunidades” inviabilizava a instalação dos equipamentos. O ICB foi contratado para garantir 5 mil pontos de acesso em áreas de vulnerabilidade social. Segundo dados da Fundação Seade de 2020, 37% dos domicílios paulistanos não têm conexão de banda larga. O valor inicial do contrato era R$ 108 milhões. Em junho de 2025, um termo aditivo acertou o pagamento antecipado de R$ 69,1 milhões por 3.200 pontos.
A entidade controlada por Karina Gama subempreitou para o serviço uma empresa chamada Ultra Ip, instalada em Ferraz de Vasconcelos (SP). A relação comercial terminou na justiça. O ICB acusou a subcontratada de cortar deliberadamente o acesso aos pontos em setembro do ano passado, mesmo tendo sido remunerada. Nos autos, a Ultra Ip se defende alegando ser credora de R$ 3,5 milhões e afirmando que não havia sido responsável pelo corte de serviço.
13/09/2026 14:58:48
Valor