Emissões de bônus emergentes batem recorde e somam US$ 450 bilhões no 1º semestre
-As emissões internacionais de bônus por tomadores de mercados emergentes atingiram um recorde no primeiro semestre de 2026. Governos e empresas aproveitam os spreads mais estreitos em quase duas décadas.
Emissores de mercados emergentes venderam US$ 450 bilhões em títulos denominados em dólar ou euro nos mercados internacionais entre janeiro e junho, alta de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela Bloomberg. Tomadores de seis países — México, Arábia Saudita, Coreia do Sul, Polônia, Turquia e Brasil — captaram mais de US$ 10 bilhões cada.
O avanço ocorre enquanto o prêmio de rendimento da dívida de mercados emergentes sobre os Treasuries dos EUA caiu para 154 pontos-base em junho, o menor nível desde 2007. A redução dos spreads se dá em meio à alta dos mercados globais, impulsionada pelas perspectivas de que os EUA e o Irã fechem um acordo de paz duradouro. A tendência também tem sido alimentada por uma mudança estrutural de longo prazo na alocação da poupança global para longe dos EUA, movimento que favoreceu os ativos de países em desenvolvimento.
“Os emissores de mercados emergentes foram muito ativos, impulsionados pela forte demanda de investidores especializados nesses mercados, bem como de investidores com mandatos globais, que frequentemente consideram os títulos soberanos e corporativos de mercados emergentes mais atraentes do que os de outros mercados”, disse Philip Fielding, gestor de portfólio da Fidelity International Management Ltd. “Como resultado, os mercados emergentes frequentemente apresentam melhor qualidade de crédito para a mesma classificação de risco.”
A dívida de mercados emergentes denominada em dólar proporcionou retorno de 2,1% aos investidores neste ano, o triplo do ganho registrado pelos Treasuries dos EUA, mostram os índices de dívida da Bloomberg.
