O conselheiro diplomático da Presidência dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, afirmou nesta sexta-feira que o incidente envolvendo um avião da companhia aérea da FlyDubai na quarta-feira — em que um dos piloto esfaqueou o companheiro de cabine e tentou derrubar a aeronave que fazia a rota Dubai-Tel Aviv — foi um "ato terrorista", na primeira manifestação pública de uma autoridade de Abu Dhabi sobre a natureza do caso. A declaração ocorre no dia seguinte ao presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que atingiria o Irã "com muita força", caso se comprovasse o envolvimento da nação persa no planejamento do ato. 'Não ia deixar que outras pessoas morressem': Piloto indiano ferido em ataque durante voo Dubai-Tel Aviv se pronuncia O GLOBO no Mundo: Receba as notícias internacionais direto no seu celular Quer morar fora? Guia reúne informações sobre 36 países Gargash chamou o incidente de "ato terrorista" em uma mensagem publicada na rede social X, em que elogiava a coragem do piloto Smit Machchhar, de nacionalidade indiana, que mesmo ferido conseguiu abrir a porta da cabine, o que permitiu que passageiros e tripulação dominassem o agressor — um homem natural de Omã, cuja identidade ainda não foi revelada.
"O piloto indiano da FlyDubai, Smit Machchhar, merece todo o reconhecimento. Diante de um ato terrorista grave e de uma possível catástrofe, ele demonstrou o verdadeiro significado de coragem e responsabilidade. Seu profissionalismo e seu senso ético nas circunstâncias mais sombrias fazem dele um verdadeiro herói", escreveu o conselheiro presidencial. "Longe de reduzir facilmente o que aconteceu ou de adotar e promover teorias da conspiração, permanece indispensável manter a vigilância e tomar precauções diante dos riscos do extremismo e do terrorismo". Os Emirados Árabes anunciaram na quinta-feira que assumiriam a liderança das investigações sobre o caso, alegando ter a competência de investigar e julgar o suspeito, uma vez que os crimes ocorreram em uma aeronave do país, que partiu de seu território. As comunicações sobre o caso, porém, vinham sendo feitas de forma indireta, por meio de agências estatais. A Arábia Saudita confirmou ter enviado o suspeito, até então detido no país, para os Emirados na quinta-feira. Israel investiga esfaqueamento em voo entre Dubai e Tel Aviv como terrorismo A apuração sobre um possível vínculo do piloto com o Irã, parece interessar a todas as partes, que desde o início da guerra entre Washington e Teerã foram bombardeados pelo país. O premier de Israel, Benjamin Netanyahu, disse em uma entrevista à imprensa americana na quinta-feira que era cedo para apontar responsabilidades, mas afirmou que o piloto teria passado por um processo de "doutrinação islâmica radical". Em conversa com jornalistas na Casa Branca na quinta, o presidente americano, Donald Trump, apontou como "provável" o envolvimento de Teerã no incidente e prometeu retaliação se a hipótese fosse comprovada. Netanyahu encontra passageiro de voo desviado da FlyDubai no aeroporto de Tel Aviv — Estamos trabalhando nisso neste momento — disse Trump, sugerindo uma participação americana na apuração dos fatos. — Ah, eles serão atingidos com muita força, não se preocupem. Trump vem prometendo retomar as ações de alta intensidade contra o território iraniano, e já afirmou que uma ação decisiva seria realizada após as eleições de meio de mandato, marcadas para o começo de novembro.
O portal Axios informou que Washington enviou recentemente sistemas adicionais de defesa antimísseis Patriot para a Arábia Saudita e o Catar, com o objetivo de proteger instalações de energia cruciais de uma possível retaliação iraniana, e que o porta-aviões USS Theodore Roosevelt e seu grupo de ataque estavam a caminho do Oriente Médio, onde poderiam se unir a outros dois grupos de porta-aviões americanos já presentes na região. (Com AFP)
O Globo