Emirados Árabes anunciam saída da Opep e Opep+, diz agência

 

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Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e também da Opep+, aliança que reúne membros do cartel e aliados como a Rússia, em um movimento com potencial para mexer no equilíbrio do mercado global de energia. A decisão, segundo comunicado citado pela agência Reuters, foi tomada após “várias discussões” e “reflexões” sobre o cenário internacional do petróleo.

A ruptura representa um revés para a Opep e sua estrutura ampliada, especialmente para a Arábia Saudita, principal liderança do grupo e historicamente responsável por coordenar estratégias de produção capazes de influenciar os preços globais do petróleo.

A saída dos Emirados ocorre em um momento delicado para o setor, marcado por volatilidade nos preços, rearranjos geopolíticos e disputas cada vez mais intensas por influência sobre o fluxo global de energia.

Em Washington, o anúncio também ganha leitura política. O movimento é visto como uma vitória para Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, crítico recorrente da atuação da Opep. Trump vinha acusando o grupo de “explorar o resto do mundo”, em referência à percepção de que a organização contribui para manter os preços do petróleo em patamares elevados.

Além do impacto econômico, a decisão dos Emirados adiciona tensão a um tabuleiro regional já sensível. O movimento ocorre após alertas de que aliados na região não estariam fazendo o suficiente para proteger seus próprios interesses diante de ameaças associadas ao Irã.

O que é a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e como ela funciona?

A Opep reúne outros 12 países que são grandes exportadores de petróleo. Ela foi fundada em Bagdá, Iraque, em 1960, por cinco nações: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela. Estes são chamados de membros fundadores.

Ao longo dos anos, outros países aderiram à associação: Líbia (1962), Emirados Árabes Unidos (1967), Argélia (1969), Nigéria (1971), Gabão (1975), Angola (2007), Guiné Equatorial (2017) e Congo (2018). Esses são os chamados membros plenos, pois não faziam parte do grupo quando ele foi criado.

Entre os membros da Opep há ainda os associados, que são países que não se qualificam para a adesão plena, mas que são admitidos sob condições especiais. De acordo com o estatuto da Opep, eles não têm direito a voto nas reuniões.

A Opep foi criada com o objetivo de estabelecer uma política comum em relação à produção e à venda de petróleo, de forma a influenciar os preços do petróleo no mercado internacional. Por serem grandes produtores, seus membros são capazes mexer com as cotações, ao aumentar ou cortar a produção de forma coordenada.