'Emergência radioativa': série sobre o Césio 137 ocupa o topo de mais vistas em língua não-inglesa da Netflix

 

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"Emergência radioativa", minissérie ficcional da Netflix, livremente inspirada na tragédia do Césio 137, em Goiânia, em 1987, ganhou mesmo o mundo. Segundo dados divulgados pela plataforma nesta terça-feira, a produção brasileira foi a mais vista dentre todas as séries de língua-não inglesa entre os dias 23 e 29 de março. Foram mais de 10,8 milhões de visualizações no período e presença no Top 10 de 55 países.

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Estrelada por Johnny Massaro, Ana Costa, Paulo Gorgulho e outros, a minissérie tem cinco episódios e estreou no dia 18 de março. A direção geral é de Fernando Coimbra e a criação, de de Gustavo Lipsztein.

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Como foi a tragédia do Césio 137

Quatro pessoas, entre elas uma criança, foram vítimas diretas da exposição ao Césio 137, substância radioativa vinda de uma sucata encontrada num clínica de radiologia abandonada, em Goiânia, em 1987. É o maior acidente radioativo do mundo fora de uma usina nuclear e, segundo a Associação de Vítimas do Césio 137, pelo menos 1,6 mil pessoas foram afetadas.

As primeiras mortes foram de Maria Gabriela Ferreira e Leide das Neves Ferreira — na série, elas inspiraram as personagens Antônia (Ana Costa) e Celeste (Marina da Silva), respectivamente. Maria era a esposa de Devair Ferreira, dono do ferro-velho que desmontou a peça com as partículas de césio. Leide era sobrinha dele, que engoliu o pó radioativo. Com brilho azulado no escuro, a novidade, de antemão, deixou toda a família inebriada.

Bastante debilitadas, as duas chegaram a ser transferidas para o Rio de Janeiro, mas não resistiram. O GLOBO noticiou, em 27 de outubro de 1987, o enterro delas, que aconteceu no dia anterior. A morte se deu no dia 23. Tia e sobrinha foram sepultadas em caixões de chumbo que pesavam cerca de 600kg, tinham mais de 2m de comprimento e 80cm de altura. O corpo de Leide, de apenas 6 anos de idade, foi embrulhado com três lençóis também de chumbo, cada um com dois milímetros de espessura.

A descontaminação das casas, ruas e bairros produziu toneladas de lixo, depositado em dezenas de contêineres, enterrados sob uma parede de um metro de espessura de concreto e chumbo, no município de Abadia de Goiás.

Cinco profissionais do Instituto Goiano de Radioterapia foram condenados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, pela negligência com os aparelhos. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que supervisiona os equipamentos de radiologia no país, teve que pagar, segundo a série, R$ 1 milhão no atendimento às vítimas.