A cantora Ana Castela receberá R$ 850 mil reais para se apresentar na Expo São Fidelis nesta quinta-feira.
O show da artista será o primeiro dos quatro dias de apresentações musicais gratuitas na 14ª exposição agropecuária do município, que também contará com a participação de Tiee, Maiza Lima e da dupla Junior e Gustavo.
O cachê da cantora, que se autointitula "boiadeira", faz parte de uma verba de R$ 1 milhão, destinada pela deputada federal Dani Cunha (PL-RJ), por meio de uma emenda da Comissão de Turismo da Câmara.
Dani Cunha tenta reeleição pelo Rio de Janeiro.
Ela é filha do ex- deputado Eduardo Cunha, que teve seu mandato cassado em 2016 e tenta voltar à cena política concorrendo pelo estado de Minas à uma vaga na Câmara dos Deputados.
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Além da artista, que posou ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) numa foto publicada nas redes do parlamentar, na Festa do Peão de Barretos, no último domingo, a dupla sertaneja Antony e Gabriel também consta como beneficiária de parte da verba destinada pela deputada (R$ 200 mil).
Eles se apresentaram no município no dia 23 de abril.
Segundo a informação da Folha de São Paulo, a Perefeitura de São Fidelis estima um público de 4 mil pessoas para o show de Ana Castela, nesta quinta.
A cidade tem 38.961 habitantes, conforme a última medição do IBGE.
As contratações constam no diário oficial do município, com data do dia 10 de abril deste ano.
Administrada por José William Ribeiro da Silva, também do Partido Liberal (PL), a prefeitura já tinha recebido outra verba de R$ 1 milhão da deputada em 2024 — ano em que José William ainda era vice-prefeito do município, mas, posteriormente, foi eleito como chefe do executivo municipal.
O valor foi destinada à pasta da saúde e direcionado ao Hospital Armando Vidal.
Em entrevista concedida à Band, a deputada federal afirmou que o atual prefeito é um "parceiro de seu mandato".
— O prefeito sempre foi parceiro do meu mandato e vice-versa.
Da mesma forma que tenho trabalhado com todo o Norte e Noroeste do Rio de Janeiro: Italva, Itaperuna, Miracema, Bom Jesus de Itabapoana e Itaocara — afirmou a parlamentar.
Diário Oficial de São Fidelis registrou a contratação dos shows de Ana Castela e da dupla Antony e Gabriel
Reprodução/Diário Oficial de São Fidelis
A deputada também disse que foi responsável pela escolha de São Fidélis como beneficiário das emendas, mas atribuiu à prefeitura a decisão sobre a aplicação dos recursos.
— Destinei uma emenda na categoria do turismo, pois foi o que meu partido liberou.
Escolhi o município e ele recebeu a emenda.
O que o prefeito faz com a emenda é de sua discrição.
Eu cumpri meu papel de deputada de enviar emendas para municípios — declarou.
Dani e José William também já participaram juntos de uma agenda pública no Noroeste Fluminense.
Em 6 de junho de 2024, os dois estiveram em uma cerimônia de entrega de 280 títulos de propriedade a moradores do bairro São Caetano, em Italva, que reuniu autoridades municipais e estaduais, representantes do Tribunal de Justiça do Rio e do Instituto de Terras e Cartografia do Estado do Rio de Janeiro (Iterj).
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Quem são Dani Cunha e Eduardo Cunha
Danielle Dytz da Cunha, de 39 anos, está em seu primeiro mandato como deputada federal.
Eleita pelo Rio de Janeiro em 2022 com 75.810 votos, tomou posse em fevereiro de 2023 pelo União Brasil e se filiou ao PL em 2026.
Desde abril, ocupa o posto de vice-líder do partido na Câmara.
A parlamentar é filha do ex-deputado federal Eduardo Cunha, que presidiu a Câmara dos Deputados entre 2015 e 2016 e teve papel central na abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff.
O mandato parlamentar de Cunha foi cassado pela Câmara em setembro de 2016.
Dez anos depois da cassação, Eduardo Cunha tenta retornar ao Congresso.
Filiado ao Republicanos, ele registrou candidatura a deputado federal por Minas Gerais nas eleições de 2026.
O ex-presidente da Câmara transferiu seu domicílio eleitoral para o estado e integra a chapa do partido para disputar uma das 53 vagas mineiras na Casa que já comandou.
A candidatura, porém, é alvo de uma ação de impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral.
O órgão sustenta que Cunha permanece inelegível em razão de uma condenação por improbidade administrativa e pede que seu registro seja rejeitado pela Justiça Eleitoral.
O pedido ainda depende de julgamento.
