Estudo mostra como calor intenso, secas e chuvas excessivas podem prejudicar lavouras de tomate, alface, cebola e outras hortaliças, além de apresentar estratégias para reduzir perdas. O calor excessivo, a falta de água e as chuvas intensas representam desafios crescentes para quem produz hortaliças no Brasil.
Segundo comunicado da Embrapa Hortaliças, publicado em 3 de novembro de 2026, pesquisadores desenvolveram um estudo com estratégias para adaptar as lavouras aos impactos do El Niño e de eventos climáticos extremos. O trabalho identifica os riscos enfrentados por diferentes culturas e recomenda mudanças na irrigação, no manejo do solo e no planejamento do plantio.
Grande parte das hortaliças consumidas pelos brasileiros apresenta melhor desenvolvimento em temperaturas amenas, geralmente entre 18°C e 25°C. Entretanto, ondas de calor prolongadas podem prejudicar o crescimento das plantas e afetar sua produtividade.
Além disso, a irregularidade das chuvas dificulta o planejamento das atividades agrícolas. Em algumas regiões, os produtores enfrentam longos períodos de seca.
Em outras, precisam lidar com excesso de água e encharcamento do solo. Segundo os pesquisadores, esses problemas afetam as culturas de maneiras diferentes.
As hortaliças folhosas, como alface e couve, sofrem com a exposição direta ao calor intenso e à escassez de água. Já o alho e a cebola dependem de irrigação regular e apresentam sensibilidade às mudanças de temperatura.
Por outro lado, raízes e tubérculos, como cenoura, beterraba e batata-doce, precisam de condições adequadas de umidade no solo. Assim, tanto a falta quanto o excesso de água podem prejudicar seu desenvolvimento.
Para enfrentar esses desafios, os pesquisadores organizaram as recomendações em seis eixos de atuação. O primeiro envolve o monitoramento constante das condições climáticas.
Dessa forma, o agricultor pode acompanhar previsões meteorológicas e identificar situações de risco. O segundo considera ajustes no calendário de plantio e a escolha de variedades mais adaptadas às condições de cada região.
Além disso, o estudo recomenda melhorar o manejo da água e do solo. Entre as possibilidades estão práticas de conservação, irrigação eficiente e sistemas de drenagem.
Outra estratégia envolve o controle do microclima, por meio de estruturas que ajudam a proteger as plantas contra temperaturas elevadas e chuvas intensas. O quinto eixo aborda o manejo fitossanitário, com atenção às condições que favorecem o surgimento de pragas e doenças.
Por fim, os especialistas defendem a avaliação de tecnologias conservacionistas, considerando sua aplicação nas diferentes realidades produtivas. O desenvolvimento de soluções para enfrentar a seca também aparece em outras pesquisas brasileiras.
Em estudo divulgado pelo CPG, cientistas utilizaram drones e inteligência artificial para identificar variedades de milho mais tolerantes à falta de água, com resultados promissores em testes experimentais. A Embrapa destaca que não existe uma solução única para todas as lavouras.
No Norte e Nordeste, por exemplo, o manejo precisa considerar as condições de calor e disponibilidade de água. Já no Sul, os produtores também devem observar os riscos de encharcamento e doenças associados aos períodos de chuva intensa.
Enquanto isso, no Centro-Oeste e Sudeste, os pesquisadores apontam possibilidades como sensores de umidade, telas anti-insetos e estruturas de cultivo protegido. Os túneis plásticos estão entre as alternativas utilizadas para reduzir a exposição das plantas a determinadas adversidades climáticas.
Além disso, o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças aparece como uma opção para conservar o solo e diminuir a vulnerabilidade das áreas produtivas. Entretanto, a escolha das técnicas depende das características da propriedade, da cultura e das condições locais.
O monitoramento também ganha importância nesse cenário. Uma pesquisa com participação da NASA investiga o uso de drones e sensores para identificar sinais de seca, doenças e ataques de insetos nas plantações, buscando antecipar problemas no campo.
O estudo integra um esforço da Embrapa que reúne mais de 160 medidas voltadas à gestão de riscos climáticos. Os pesquisadores Marcos Brandão Braga, Samuel Cordeiro Vitor Martins e Carlos Eduardo Pacheco Lima participaram do desenvolvimento das estratégias.
Segundo a instituição, a adaptação não deve ocorrer apenas quando um evento climático extremo se aproxima. Pelo contrário, os especialistas defendem mudanças permanentes na organização dos sistemas produtivos.
Isso inclui combinar variedades adaptadas, manejo eficiente da água, conservação do solo e medidas para reduzir problemas fitossanitários. Além disso, o desenvolvimento de tecnologias agrícolas pode contribuir para melhorar a capacidade de resposta dos produtores.
Nesse contexto, pesquisadores da Embrapa identificaram fungos da Caatinga com potencial para combater doenças agrícolas e desenvolver novos bioinsumos, ampliando as alternativas de manejo sustentável. Apesar das recomendações, o estudo não apresenta um percentual geral de redução de perdas nem garante que as técnicas eliminem os efeitos do El Niño.
Os resultados dependem das condições de cultivo e da aplicação adequada das medidas. Para a Embrapa, entretanto, preparar as lavouras para temperaturas extremas, secas e chuvas intensas será cada vez mais importante para proteger a produção de hortaliças no Brasil.
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