Embate com o STF é o tema que mais impulsionou Zema nas redes sociais este ano, aponta levantamento

 

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O embate entre o ex-governador Romeu Zema (Novo) e o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta semana foi o tema que mais impulsionou o mineiro nas redes sociais este ano, aponta um levantamento da consultoria Bites que mediu a repercussão digital entre os dias 20 e 23 deste mês. Os dados apontam que, neste período, o pré-candidato à Presidência ganhou seguidores em uma proporção dez vezes maior do que a média de 2026.

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Na segunda-feira, o ministro Gilmar Mendes, do STF, enviou uma notícia-crime ao colega de Corte, Alexandre de Moraes, solicitando que Zema seja investigado no âmbito do inquérito das fake news. O motivo é a publicação de um vídeo em que satiriza suas decisões. O mineiro definiu a decisão do magistrado como "um absurdo".

O levantamento indica que foram publicadas 406 mil menções a Zema ou Gilmar nestes dias. As postagens geraram mais de 4,1 milhões de interações nas redes sociais X, Instagram, Facebook, Youtube e Bluesky. Como comparação, o Caso Master teve 239 mil menções nesses mesmos dias, com 3,2 milhões de interações. 

Os dados mostram que o embate de Zema com o STF é o tema que mais impulsiona o mineiro no ano. Dos 10 posts dele mais populares em 2026, sete atacam a Corte.

— Zema percebeu desde o início do ano que atacar o STF traz engajamento para ele nas redes sociais. Ele atrai um público da direita que tende a ser bolsonarista, mas deseja ver um candidato atacando de forma mais direta a Corte. Agora, ele sobe o tom contra Gilmar para colher a repercussão digital — avalia André Eler, diretor-técnico da Bites.

Pré-candidato ao Planalto, Zema teve a maior repercussão entre os postulantes ao Executivo no período. Ele liderou na segunda e terça-feira, e quase empatou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na quarta-feira. A Bites destaca que o petista e o bolsonarista têm mais seguidores e são mais bem posicionados que o mineiro nas pesquisas — o que demonstra a tração da discussão sobre o embate com o STF.

Os dois vídeos de Zema sobre o caso que mais tiveram repercussão alcançaram 729 mil e 535 mil curtidas, respectivamente. Num deles, o mineiro sugere que foi alvo de uma tentativa de silenciamento e conseguiu o quarto maior número de interações (métrica que reúne curtidas, compartilhamentos e comentários). O post só ficou abaixo de duas publicações criticando Lula pelo carnaval e de uma na qual pediu impeachment contra Alexandre de Moraes.

Crítica ao STF

O pedido de Gilmar é baseado em um vídeo publicado por Zema. Nele, os ministros são representados por fantoches, e Toffoli pede que o boneco de Gilmar suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado. Em troca da anulação, o personagem de Gilmar pede "uma cortesia" no resort Tayayá, que já teve irmãos de Toffoli como donos e está envolvido nas investigações ligadas ao escândalo do Banco Master.

No pedido enviado a Moraes, Gilmar afirma que o conteúdo compartilhado pelo ex-governador de Minas Gerais “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa".

Na terça-feira, Zema publicou um material, em suas redes sociais, em que compara o poder dos ministros — definidos por ele como "intocáveis" — ao da Coroa Portuguesa. Em tom eleitoral, ele afirmou que "os intocáveis mudaram, mas o legado de Tiradentes permanece vivo", e destacou seu intuito em combater "os poderosos".

— Você acha que nós somos livres de verdade? Eu acho que não. No lugar da Coroa Portuguesa, se sentaram os intocáveis de Brasília. Os políticos vendidos, os empresários ladrões e os juízes que se acham acima do bem e do mal — afirmou Zema. — Nas eleições deste ano, nós vamos decidir quem manda no Brasil, os intocáveis ou os brasileiros de bem.

O vídeo publicado pelo ex-governador conta com representações em inteligência artificial de nomes como o próprio Gilmar e Moraes, além do banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).