Emagrecimento acelerado impõe novos desafios à estética facial

 

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A popularização de métodos de emagrecimento acelerado, impulsionada pelo uso de medicamentos injetáveis e por mudanças recentes nos padrões de saúde e consumo, tem produzido efeitos que vão além da redução de peso. Um deles passou a ser observado com maior frequência nos consultórios de estética: a perda de sustentação facial associada à redução rápida de gordura corporal, especialmente em pessoas acima dos 30 anos.

A gordura facial exerce papel importante na sustentação da pele e na manutenção do contorno do rosto. Quando a perda ocorre de forma abrupta, o organismo nem sempre consegue acompanhar esse processo com produção suficiente de colágeno, o que pode resultar em flacidez e alteração da aparência facial.

“O emagrecimento rápido afeta o corpo como um todo. A gordura não é eliminada de forma seletiva, e o rosto também sofre esse impacto”, explica o biomédico esteta Marcelo Pedrosa, especialista em estética e harmonização facial. Segundo ele, quanto mais madura é a pele, maior tende a ser a dificuldade de recuperação da sustentação natural após perdas intensas de gordura.

O fenômeno não é restrito ao Brasil. De acordo com o especialista, que acompanhou atendimentos e estudos fora do país, a queixa é recorrente em diferentes mercados. “A busca por emagrecimento rápido tem crescido globalmente, e o impacto estético no rosto aparece como uma consequência comum desse processo”, observa.

Uma das dúvidas mais frequentes entre os pacientes diz respeito ao papel do colágeno na recuperação da flacidez facial. Pedrosa destaca que o consumo oral apresenta limitações quando o objetivo é um efeito localizado. “A ingestão de colágeno traz benefícios gerais ao organismo, mas não há um mecanismo que direcione esse colágeno especificamente para a face”, explica.

Por isso, abordagens que estimulam a produção local de colágeno costumam apresentar resultados mais consistentes, quando indicadas de forma adequada. Tecnologias e técnicas voltadas à bioestimulação têm sido utilizadas com esse objetivo, sempre a partir de avaliação individual. “Não existe um protocolo único. Cada paciente apresenta necessidades diferentes, e o tratamento precisa respeitar essas particularidades”, afirma.

A estética facial contemporânea, segundo Pedrosa, tem priorizado a preservação da naturalidade. “O foco deixou de ser transformação e passou a ser recuperação e manutenção da harmonia facial. O exagero tende a ocorrer quando não há critério ou quando se perde de vista o objetivo de rejuvenescer de forma equilibrada”, diz.

Os resultados, ressalta o especialista, variam conforme o tipo de abordagem adotada. Tratamentos que estimulam o colágeno, por exemplo, demandam tempo para que os efeitos se tornem perceptíveis. Em geral, as mudanças mais consistentes começam a ser observadas após alguns meses de acompanhamento.

Para ele, o aumento da procura por procedimentos após o emagrecimento reforça a importância de uma visão integrada sobre saúde, estética e bem-estar. “O emagrecimento traz benefícios importantes, mas precisa ser pensado de forma global. Cuidar do rosto também faz parte desse processo, assim como da autoestima e da qualidade de vida”, conclui.

@drmarcelopedrosa