Em uma semana, caso Master atinge Flávio e Ciro, e abre flanco de desgaste para a oposição
O escândalo financeiro do banco Master atingiu no período de menos de uma semana dois importantes nomes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal pré-candidato da direita, e o banqueiro Daniel Vorcaro se somaram ao desgaste já acumulado com a operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP.
Flávio enviou um áudio pedindo dinheiro a Vorcaro, que era dono do Banco Master, para custear um filme biográfico sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pelo site Intercept Brasil. A informação foi confirmada pelo GLOBO e admitida pelo próprio parlamentar no fim da tarde desta quarta-feira.
O caso provocou uma crise na campanha do senador do PL e o desgaste é admitido publicamente por parte dos bolsonaristas.
O discurso no PL é de que não há chance de Flávio ser substituído na disputa presidencial, mas o assunto é avaliado por alas da direita. Parte da oposição têm citado a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como alternativa, mas o partido divulgou nota reforçando Flávio como pré-candidato a presidente.
A nota do partido foi divulgada após uma reunião de emergência para tratar da crise e da qual participaram Flávio, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha.
O deputado Ricardo Salles (Novo-SP), ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro e pré-candidato a senador, é do grupo que prega um monitoramento para saber da necessidade de substituição da candidatura.
– Não vejo motivo (para trocar a candidatura), mas sempre é bom ficar de olho em pesquisa – disse.
Mesmo com a crise instaurada, a ordem entre os aliados mais próximos do bolsonarismo é evitar falar sobre a possibilidade de Flávio não ser candidato. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), próxima de Michelle, fala com cautela sobre o assunto.
– É tudo muito cedo para avaliar e o PL parece que se mantém firme com o Flávio.
O influenciador Paulo Figueiredo, aliado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, reclamou nas redes sociais do debate sobre uma eventual retirada de Flávio da eleição.
“Todos na campanha reconhecem que é necessário esclarecimentos ao eleitor, mas um total de ZERO cogitam a saída do Flávio”, declarou.
A operação da PF contra Ciro Nogueira na semana passada já havia provocado desgaste na campanha do filho do ex-presidente e dificultado uma aliança com a federação União-PP.
A PF identificou mensagens em que Vorcaro questiona seu primo, Felipe, sobre o atraso nos pagamentos destinados ao senador Ciro. O diálogo ainda revela um suposto aumento, de R$ 300 mil para R$ 500 mil, da mesada que era paga à uma estrutura que, segundo a PF, era vinculada ao parlamentar. A defesa do senador nega ter cometido qualquer crime.
Agora, a revelação de áudio e mensagens em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro amplificou o desgaste.
O caso provocou a primeira grande crítica pública de Romeu Zema, pré-candidato do Novo a presidente e tratado como opção de candidato a vice de Flávio.
Zema classificou como “imperdoável” o diálogo entre Flávio e o ex-banqueiro. A declaração provocou reações do senador Rogério Marinho (PL-RN), que chamou o pré-candidato do Novo de “oportunista” e de Eduardo Bolsonaro, que disse que Zema é “baixo e vil”.
O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, procurou se distanciar do tom adotado por Zema, disse que Flávio precisa dar explicações, mas reclamou da possibilidade de haver divisões na direita.
– Não sou um homem oportunista. O que nós precisamos mais do que nunca é fazer com que a centro-direita brasileira não se divida, não rompa essa unidade, para que possamos derrotar o PT e o Lula nas urnas no segundo turno.
