Em um intervalo de dois meses, RJ teve deputados presos, ex-governador alvo da PF e duas mil exonerações
O Rio de Janeiro vive uma crise política que se intensificou nos últimos dois meses, desde a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL) no dia 23 de março, alvo de uma operação da Polícia Federal, nesta sexta-feira, em uma operação que cumpre 17 mandados de busca e apreensão. O caso está relacionado ao escândalo da Refinaria de Manguinhos, a Refit.
Castro renunciou um dia antes de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral à inelegibilidade. Desde então, o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, comanda o estado interinamente. O ex-governador é investigado em um processo que aponta um suposto esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro), com cerca de 27 mil cargos temporários. Eles teriam sido usados para empregar cabos eleitorais e fortalecer a campanha de reeleição de Castro em 2022.
Confira a linha do tempo da crise política no Rio de Janeiro:
23 de março: Cláudio Castro renuncia ao governo do estado;
24 de março: O Tribunal Superior Eleitoral declarou a inelegibilidade, pelo período de oito anos, do ex-governador. Por 5 votos a 2, os ministros entenderam que Castro praticou abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas Eleições Gerais de 2022. No mesmo dia, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assume o governo interino.
26 de março: em uma eleição extraordinária boicotada e questionada judicialmente pela oposição, Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do estado pelo partido de Castro, foi eleito presidente da Alerj e deveria assumir também o cargo de governador em exercício do Rio. Horas depois, a votação foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Rio porque a desembargadora Suely Lopes Magalhães entendeu que o processo eleitoral na Casa só poderia começar depois da retotalização dos votos pelo Tribunal Regional Eleitoral, conforme determinação do TSE na decisão que cassou o mandato de Rodrigo Bacellar.
27 de março: o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), é preso novamente em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A decisão usou como justificativa a garantia da ordem pública e apontou indícios de participação do deputado com o Comando Vermelho e atuação para atrapalhar investigações, com vazamento de informações.
8 de abril: o Supremo Tribunal Federal começou o julgamento que definiria como devem ser as eleições para o mandato-tampão.
9 de abril: o ministro Flávio Dino pediu vista para esperar a publicação do acórdão do TSE que condenou o ex-governador Cláudio Castro à inelegibilidade até 203 para saber se a Justiça Eleitoral reconheceu ou não a cassação de Castro durante o julgamento, o que impacta na convocação da eleição direta. O acórdão foi publicado no dia 23 de abril, mas o julgamento continua paralisado com placar em 4 a 1 para a escolha indireta do governador.
14 de abril: o Tribunal Regional Eleitoral do Rio homologou o resultado da retotalização dos votos para deputado estadual
17 de abril: Douglas Ruas voltou ao cargo da presidência da Alerj em votação com 44 votos a favor e uma abstenção.
5 de maio: o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) é preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal, contra fraudes em procedimentos de compra de materiais e de aquisição de serviços na Secretaria Estadual de Educação.
Em paralelo, o governador interino do Rio, desembargador Ricardo Couto, chegou à marca de dois mil servidores exonerados no primeiro e segundo escalões, desde que assumiu o cargo no dia 24 de março. Os cortes que têm sido feitos de forma sistemática, principalmente em cargos de confiança, os chamados cargos comissionados.
O governo do estado segue fazendo uma auditoria na gestão das secretarias de Estado e das entidades da administração indireta estadual, incluindo empresas estatais dependentes. Entre as mudanças estão nas pastas da Fazenda, Planejamento e Gestão e a Procuradoria-Geral do Estado.
O governo do RJ também está na mira das investigações do caso Banco Master, após aportes de cerca de R$ 1 bilhão feitos pelo Rioprevidência e de mais de R$ 230 milhões pela Cedae. A operação desta sexta-feira, no entanto, não tem relação com esses episódios.
