Um documento interno do Escritório de Antinarcóticos da França (Ofast) mostra que, em três anos, 1.200 "mulas" do tráfico que tinham como ponto de partida o Brasil foram presas ao entrar no país europeu com drogas.
O Ofast expressa preocupação com a extensão do fenômeno, segundo veículos de imprensa francesa, que tiveram acesso ao relatório do órgão ao longo da última semana.
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O documento revela que um único voo comercial chega a transportar 30 "mulas" entre os passageiros.
A aposta das organizações criminosas é que ao menos uma delas escape da fiscalização.
A principal droga transportada pelos brasileiros é a cocaína, que, juntamente com a maconha tailandesa, inunda o país e cria desafios às autoridades locais, segundo a rádio RTL.
Segundo a Ofast, 84,3 toneladas de cocaína foram apreendidas na França em 2025.
Desse total, 59,5 toneladas entraram no país por via marítima.
Segundo a Rádio França Internacional (RFI), o documento descreve o perfil do brasileiro que se torna uma "mula" do tráfico.
Em geral, tratam-se de mulheres, sem antecedentes criminais, em situação de vulnerabilidade econômica.
As idades variam entre 25 e 40 anos.
As "mulas" costumam ser aliciadas por meio de aplicativos de mensagens.
As passagens são compradas pouco antes da viagem e, muitas vezes, pagas com dinheiro vivo.
Em geral, a cocaína é transportada no corpo ou na bagagem.
As brasileiras recebem valores que podem variar entre € 1,5 mil e € 10 mil, montantes que, convertidos, ficam entre R$ 9 mil e R$ 60 mil.
O documento da Ofast mostra também estratégias usadas pelos traficantes para driblar a fiscalização em aeroportos.
Segundo a RFI, algumas das mulas recebem menores quantidades de drogas ao mesmo tempo em que são deixadas mais expostas às autoridades.
Ao serem detidas, tornam-se foco da fiscalização, permitindo que "mulas" com mais droga passem despercebidas.
