Em SP, bloco Besame Mucho leva pop latino ao coração financeiro do país

 

Fonte:


Um dos primeiros blocos a se concentrar neste sábado de Carnaval em São Paulo levou o pop latino ao centro financeiro do país. Perto da esquina das avenidas Faria Lima e Juscelino Kubitschek, na Vila Olímpia, o Besame Mucho animou foliões ao som de hits da música latino-americana.

-- Nosso bloco só se formou há sete meses, então o pessoal está ainda com aquele frio na barriga para tudo dar certo, mas estamos bem animados -- disse Franklin Santos, o mestre de bateria do projeto.

A falta de familiaridade com a língua espanhola não animou as pessoas a cantarem junto as músicas do início ao fim, mas dançar não foi um problema.

-- Fizemos questão de incluir no repertório muito reggaeton, merengue, salsa e músicas de artistas como o rapper Maluma, a Shakira e, claro, o Bad Bunny, que está em plena ascensão agora -- diz Santos.

A proposta do bloco não inspirou muitas fantasias temáticas, com a maioria dos foliões recorrendo a adereços mais genéricos -- os homens de camisa florida, as mulheres de saia de bailarina. Um folião, no entanto, compareceu com a fantasia que não poderia faltar num bloco de música latino-americana em São Paulo: o anti-herói Chapolim Colorado, personagem ícone da cultura pop mexicana que já se tornou escolha clássica do carnaval brasileiro.

O Chapolim não poderia deixar de marcar presença no bloco Besame Mucho, dedicado a ritmos latinos, em São Paulo

Rafael Garcia

Na bateria, composta principalmente por mulheres, caveiras ornamentadas típicas do Día de Los Muertos, festa folclórica de finados mexicana, foi a inspiração para a maquiagem de algumas integrantes.

De Lulu a Consuelo Velázquez

O Besame Mucho é um entre vários projetos do grupo Academia de Bateria de Rua, uma espécie de incubadora de blocos de Carnaval em São Paulo. Com concentração marcada para 10h, o novo bloco paulistano tocou algumas músicas para aquecimento, entre elas uma canção do brasileiro, mas latiníssimo, como no, Lulu Santos.

O cortejo começou às 12h e as atividades foram abertas oficialmente com o "hino" do bloco, uma versão da canção que o batizo, "Besame Mucho", clássico dos anos 1940 da compositora Consuelo Velázquez, tocada na Faria Lima em ritmo de marchinha.

O repertório latino foi então incluído dentro de canções mais típicas de carnaval, sobretudo sambas e clássicos do Axé. O público do bloco era concentrado entre pessoas na faixa dos 30 anos e, apesar do atraso tudo passou sem tumulto.

A prefeitura bloqueou o acesso a várias ruas da Vila Olímpia, para impedir o cortejo de sair da avenida Faria Lima. O acesso à concentração foi controlado com segurança que faziam uma discreta revista nos ingressantes.

Foliões que compareceram disseram ao GLOBO que gostaram do clima tranquilo do bloco, ideal para quem não pretendia não se cansar no começo do dia e enfrentar a maratona da folia até a noite.

-- Trabalho aqui. É muito engraçado vir aqui e encontrar tudo assim em festa -- afirmou Camila, de 36 anos, que compareceu ao bloco com o namorado. -- A gente quer ficar até o final, descansar um pouco, e escolher outro bloco para ir à tarde.

La movida não pode parar.