Em Salvador, autora de 'Bridgerton' vai do acarajé a 'The Pitt' e surpreende com história sobre Epstein Files

 

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Autora de "Bridgerton", que inspirou a série homônima da Netflix, Julia Quinn chegou a Salvador na última sexta-feira (18) preparada para lidar com o calor. Não apenas a alta temperatura baiana, que bateu nos 30 graus Celsius, mas o calor humano do público. Ela participa neste sábado (19), às 11h, de um painel na Arena Farol, palco principal da Bienal do Livro Bahia. Depois, continua sua turnê com uma sessão de autógrafos no Rio na segunda-feira (20), às 19h, na Travessa do Shopping Leblon; e em São Paulo, na terça-feira (21), às 17h30, na Livraria da Vila.

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— Me falaram para me preparar para muitos abraços — diz Quinn, em uma conversa com o GLOBO em um jantar na Casa de Tereza, um dos restaurantes mais famosos da capital baiana. — Eu estou acostumada, já vim quatro vezes ao Brasil. Mas é que eu acabei de sair de um evento na Alemanha, e lá o calor humano é muito diferente...

Nas suas quatro visitas pelo país, Julia passou por diferentes capitais, do Sul ao Norte, sempre com a mesma sucessão de abraços e carinhos dos fãs. Em 2018, veio com a família e aproveitou para fazer turismo com o marido e os dois filhos no Pantanal ("Adorei os pássaros!"). Foram tantas vindas que já virou até fã de guaraná ("Não entendo por que é tão difícil de achar nos Estados Unidos").

Censo 2022 - Salvador (BA) 28/04/2022 - Pauta sobre movimento turísticos no país. Movimento nos pontos turísticos em Salvador, Elevador Lacerda, Cruz Caída e Pelourinho, locais que estão localizados no Centro Histórico da Cidade. Foto

Felipe Iruatã

Na Casa de Tereza, Julia experimentou pela primeira vez alguns clássicos petiscos baianos e brasileiros reinterpretados pela badalada chef Tereza Paim: coxinha, acarajé, empanado de camarão e bolinho de feijoada. Este último é o que realmente conquistou a escritora. Depois dessa prova de fogo, ainda encarou uma "Sinfonia de Frutos do Mar" (peixe, polvo, siri) e um bobó de camarão.

Talvez seja cedo para a americana de Seattle solicitar o seu CPF, mas a relação com o Brasil vem de longe. Quando a adaptação audiovisual de "Bridgerton" foi anunciada, em 2018, o Brasil era o país onde a saga literária mais vendia fora dos EUA (hoje caiu duas posições e está atrás de Alemanha e França).

Na época, ela aconselhou a Netflix a criar uma estratégica de marketing especial para as redes brasileiras, mas ninguém entendeu. Assim que o anúncio foi postado nas redes, veio a enxurrada de respostas brasileiras, conforme a autora havia adiantado.

— O marketing ficou: "E agora, precisamos fazer alguma coisa com isso". Eu só disse: "Viu? Eu avisei". Os brasileiros são muito apaixonados.

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Sophie (Yerin Ha) aprende a dançar com Benedict (Luke Thompson) em um terraço privado, em 'Bridgerton'. “Quando foi que o vimos mostrar tanta empatia?”, questiona coreógrafo da série

Divulgação/Netflix/Liam Daniel

"Bridgerton" retrata a alta sociedade londrina do início do século XIX, destacando os relacionamentos conturbados e a competição intensa por casamentos. O combo "romance-escândalo-fofoca-luxo-pegação" agradou em cheio o público brasileiro, especialmente o feminino. A quarta temporada da adaptação foi lançada no início de 2026 e a quinta e sexta já foram anunciadas.

Os fãs não precisam perder tempo perguntando qual será o próximo projeto de Julia. Depois de publicar 30 livros, a autora decidiu dar um tempo ("Acho que eu mereço"). Ela tem se dedicado a promover sua saga nos mais de países em que ela foi traduzida. Em trânsito nos últimos dias, não conseguiu ver o episódio final desta temporada de "The Pitt", a sua série favorito no momento (após "Bridgertone", é claro).

— Tenho evitado spoilers ao máximo — diz a escritora, que costuma associar a trajetória do seu marido, o médico especialista em doenças infecciosas Paul Pottinger, com a do ator Noah Wyle, protagonista da série hospitalar.

— Quando meu marido era estudante de medicina, o Noah fazia o estudante de medicina John Carter na série "Plantão médico". Agora, 20 anos depois, ele faz o médico responsável em "The Pitt", e meu marido também trabalha como médico responsável no hospital dele. O engraçado é que Noah também fez o papel do meu sogro no filme "Mark Felt — o homem que derrubou a Casa Branca".

Ok, essa parte precisa de mais contexto. O filme em questão conta a história real de Mark Felt, ex-diretor adjunto do FBI. Ele foi o "Garganta Profunda", a fonte secreta que delatou Nixon para a imprensa no escândalo Watergate.

O sogro de Julia Quinn era Stan Pottinger (1940-2024), assistente do procurador geral da República de Nixon e uma das poucas pessoas a saber a real identidade do delator. O segredo durou por décadas e só foi revelado pelo próprio Mark Felt, em 2005, quando ele tinha 91 anos.

— Meu sogro teve que guardar segredo esse tempo todo — diz Julia. — Ele era daquelas pessoas que sabiam de muita coisa. Não por acaso, seu nome está no Epstein Files.

Pera, volta tudo. O quê?

— Sim, mas ele está nos arquivos por ter feito o bem — assegura a autora. — Ele investigou o Epstein e os arquivos mostram que Epstein o odiava.