Em reunião, presidente do Irã diz que Guarda Revolucionária está levando país ao 'desastre', afirma agência

 

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Uma reunião recente da cúpula iraniana terminou com acusações do presidente, Masoud Pezeshkian, contra a Guarda Revolucionária do país de realizar 'ações unilaterais' que dificultam perspectivas de cessar-fogo.

De acordo com a agência de notícias Iran Internacional, de oposição ao governo, o presidente afirmou que eles estão levando o Irã à beira do desastre. A discussão ocorreu no sábado, dia 4 de abril, e envolveu Pezeshkian e Hossein Taeb, figura influente próxima ao Líder Supremo Mojtaba Khamenei.

Durante o encontro, Pezeshkian acusou o comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi, e Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central do Khatam al-Anbiya (o comando unificado das forças armadas do país), de agirem unilateralmente e fomentarem uma escalada do conflito por meio de ataques contra países da região, particularmente contra suas infraestruturas.

Segundo as fontes, Pezeshkian afirmou que essas políticas destruíram qualquer possibilidade restante de cessar-fogo e estão conduzindo a República Islâmica diretamente para 'uma enorme catástrofe'.

Ele também alertou que, com base no que chamou de avaliações precisas, a economia iraniana não seria capaz de suportar uma guerra prolongada por muito mais tempo e que, nas condições atuais, um colapso econômico total seria inevitável.

Líder supremo do Irã está inconsciente e em estado grave, sem participar das decisões, diz jornal

Novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei.

Ahmad Al-Rubaye/AFP

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamanei, está inconsciente, recebendo tratamento médico na cidade de Qom e não participa de nenhuma decisão sobre o regime.

As informações são do jornal britânico The Times, baseado em um memorando diplomático baseado em avaliações da inteligência israelense e americana.

O The Times também observou que as agências de inteligência israelenses e americanas já sabiam há algum tempo do paradeiro do filho do antigo líder supremo, Ali Khamenei, que foi nomeado como novo líder do Irã há algumas semanas.

O Irã convocou nesta terça-feira (7) os jovens do país a realizarem 'correntes humanas' ao redor das usinas de energia para evitar ataques por parte dos Estados Unidos e de Israel.

A afirmação foi feita na televisão estatal por Alireza Rahimi , secretário do Conselho Supremo da Juventude e da Adolescência, após ameaças de novos ataques por parte dos EUA. O apelo, feito durante uma videochamada, foi dirigido a 'todos os jovens, atletas, artistas, estudantes e universitários, bem como seus professores'.

Ele pediu para que eles se reúnam nesta terça ainda nas usinas, defendendo que são 'nosso patrimônio nacional e nossa capital, independentemente de qualquer gosto ou opinião política, pois pertencem ao futuro do Irã e à juventude iraniana'.

Em meio a isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir o Irã inteiro nesta terça (7) se o Estreito de Ormuz não for reaberto até as nove da noite, pelo horário de Brasília. A rota é um importante corredor marítimo, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo.

Nessa segunda (6), o governo americano e o regime iraniano rejeitaram um plano de cessar-fogo elaborado pelo Paquistão.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

O presidente americano disse que, caso não haja um acordo aceitável hoje, todas as pontes e usinas de energia do Irã serão dizimadas em poucas horas.

O presidente Donald Trump disse que não está preocupado se os Estados Unidos forem acusados de cometer crime de guerra ao atacarem alvos civis, como as usinas elétricas.

Para o republicano, o verdadeiro crime de guerra é permitir que um país com líderes que ele considera dementes possua uma arma nuclear.

Em outro momento durante a entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse que, se pudesse escolher, tomaria o petróleo do Irã. Mas ponderou que os cidadãos americanos querem o fim da guerra.

Em resposta, o Exército iraniano chamou as ameaças de Trump de delirantes e disse que elas não vão compensar a vergonha e a humilhação dos Estados Unidos na região.

O prazo que expira nesta terça-feira (7) é um ultimato que já foi adiado 4 vezes pelo presidente americano desde 21 de março.