Em que lugar da fila do pão está o Brasil na economia circular? Veja a comparação com outros países

 

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A economia circular está em estratégias nacionais em mais de 100 países, mas poucos estão conseguindo tirá-las do papel rapidamente. Márcio Barreto, sócio de ESG da consultoria KPMG, avalia que, diferentemente do avanço que a pauta da descarbonização teve nos últimos anos, a economia circular é um tema mais complexo, que exige investimento, mobiliza vários atores e interesses e passa por muita informalidade e problemas difíceis de resolver, como o lixo. Precisa do Estado para acelerar.

— Acredito muito no sistema regulatório, que pode impor custos obrigatórios, mas as empresas também precisam de benefícios fiscais e incentivos financeiros — diz Barreto. — O maior obstáculo não é tecnológico, mas o modelo econômico e regulatório.

Para o especialista, ainda que a Política Nacional de Economia Circular (Pnec) não seja ideal, sua aprovação daria condições de o governo brasileiro aprofundar marcos e incentivos específicos para que empresas invistam em transformação produtiva em igualdade de condições. Isso já começou nos setores onde isso já se provou lucrativo, como a energia de biomassa e a construção civil.

Barreto cita a China como exemplo de rápida mobilização de instrumentos do governo para fazer da economia circular uma estratégia nacional com rápida aplicação prática:

— Dez anos são 100 na China em tecnologia e normativo para o plano de economia circular em larga escala do país.

Enquanto os EUA têm iniciativas pontuais, sem um plano nacional, a União Europeia (UE) é outro exemplo de avanço significativo no marco regulatório de economia circular, o que pode favorecer o Brasil dado o grande número de multinacionais europeias em atuação no país e que terão de aplicar os princípios aqui, observa Barreto.

Ao mesmo tempo, as empresas brasileiras serão cobradas sob essa parâmetro na relação comercial com a UE, acrescenta Gabriela Otero, gerente da Rede Brasil do Pacto Global da ONU. Para ela, falta capilaridade e agilidade às cadeias produtivas no país para acelerar essa transição:

— O risco deixa de ser a ausência de política e passa a ser a velocidade de execução. Com o avanço do Acordo UE-Mercosul, essa dinâmica tende a se intensificar, impondo padrões que empresas brasileiras precisarão atender independentemente do ritmo nacional de implementação.