Em protesto, moradores interditam estrada que dá acesso ao lixão do Aurá

Em protesto, moradores interditam estrada que dá acesso ao lixão do Aurá

 

Fonte: Bandeira



Moradores realizaram um protesto, na manhã desta quinta-feira, na estrada Santana do Aurá, que dá acesso ao lixão do Aurá, admistrado pela prefeitura de Belém. 

Eles fecharam a via com pneus. A estrada é só buraco e lama, que, segundo os moradores, está sem manutenção há anos e dificulta a circulação de veículos e pedestres na área.


A presidente da comunidade, Graça Souza, de 41 anos, afirmou que os moradores convivem diariamente com problemas causados pela falta de infraestrutura e cobram providências do poder público.


“Aqui a gente vem sofrendo há muitos anos com a falta de manutenção dessa estrada, que é obrigação, direito nosso, obrigação do poder público. Semana passada a gente fez uma manifestação e recebeu aqui o responsável da Prefeitura Municipal de Belém, onde fez um compromisso conosco de fazer um trabalho paliativo”, afirmou.


Segundo ela, a situação da estrada compromete até o transporte escolar da área. “Está intrafegável, a população sofre. Tem uma escola aqui dentro, aqui atrás do lixão, uma escola da Prefeitura de Belém, onde semana passada o ônibus escolar quase virou com as crianças”, relatou.


Graça disse ainda que a prefeitura teria prometido realizar intervenções emergenciais, mas que os serviços ainda não foram executados. “Infelizmente, estamos aqui novamente cobrando a mesma coisa, porque não foi feito o que foi prometido.”


Entre as reivindicações dos moradores estão serviços básicos de manutenção. “No mínimo, uma raspagem, jogar um seixo, um tapa-buraco. No mínimo, é o que a comunidade daqui pede. Dignidade para morar”, destacou.


Ela também relatou os impactos causados pela poeira em períodos sem chuva. “Nós temos aqui pessoas acamadas, com problema pulmonar, devido ao grande número de poeira. Se você vier aqui no domingo, que não tem esse tráfego todo de carro, você vê que a lama diminui. Então, é consequência desses caminhões. São muitos caminhões que passam para cá diariamente.”


Sobre a responsabilidade pela manutenção da estrada, Graça afirmou que a comunidade já buscou esclarecimentos tanto junto à Prefeitura de Ananindeua quanto à Prefeitura de Belém.


“Eu sou moradora há mais de 35 anos. Já sentei tanto com a Prefeitura de Ananindeua quanto com a Prefeitura de Belém, onde foi me apresentado um termo de compromisso que a manutenção da estrada Santana do Aurá é de obrigação de Belém”, explicou.


Ela afirmou ainda que, em anos anteriores, a Prefeitura de Belém chegou a realizar serviços de manutenção na via, mas que a situação piorou após a entrada de uma nova empresa que atua na área.


“Em outros momentos, em outros anos passados, a Prefeitura de Belém fez a manutenção pela Terra Plena, mas entrou uma outra empresa aqui que, infelizmente, a Ciclos, e estamos todos esse tempo sem receber manutenção.”


De acordo com a líder comunitária, o problema também afeta ruas próximas, utilizadas como rota alternativa pelos caminhões. “Não é só a Santana do Aurá que está intrafegável. Se você for rodar aqui próximo, vai ver que as demais ruas, onde os caminhões não estão mais conseguindo passar por aqui, estão tendo acesso por essas outras ruas. Então, acaba impactando muito no nosso dia a dia.”


Graça também destacou que a área abriga o antigo lixão do Aurá, cuja responsabilidade, segundo ela, é da Prefeitura de Belém. “É o antigo lixão do Aurá, que hoje a responsabilidade é totalmente da Prefeitura de Belém. Foi eles que nos receberam semana passada, fizeram a promessa e, infelizmente, nada foi feito.”


Outro morador que participou do protesto foi Misael Dias, de 50 anos, técnico em refrigeração. Ele afirmou que os moradores não conseguem mais circular normalmente pela via.


“Essa situação nossa é visível. A gente não consegue mais andar. O povo está aqui pedindo, encarecidamente, para que a prefeitura olhe para nós. É só olhar e o restante basta”, declarou.


Misael criticou o fato de a área continuar recebendo caminhões de lixo sem que haja melhorias na infraestrutura local.


“É muito fácil vir descarregar o lixo aqui e nada acontecer. Então a gente está aqui encarecidamente, organizadamente, para fazer um protesto, para que as autoridades tomem as devidas e cabíveis providências.”


Segundo ele, os moradores pretendem continuar realizando manifestações enquanto não houver solução para o problema.


“Hoje a gente vai fazer quantas vezes for preciso. Enquanto não resolver, a gente vai fechar aqui. Enquanto não mexer no bolso deles, a gente vai estar aqui e vai tocar fogo, vai fazer protesto”, afirmou.