Em pronunciamento, Lula anuncia 'Novo Desenrola'; trabalhadores poderão usar até 20% do FGTS para pagar dívidas
Em pronunciamento pelo dia do Trabalho, o presidente Lula antecipou alguns pontos do novo Desenrola Brasil. Os trabalhadores poderão usar até 20% do saldo do FGTS para renegociar dívidas. O programa prevê descontos entre 30% e 90% sobre o valor total das dívidas com prazo de até quatro anos para o pagamento. Quem aderir ao Desenrola ficará impedido por um ano de acessar as plataformas de bets. Segundo o presidente, o objetivo é evitar que consumidores renegociem dívidas e continuem comprometendo renda com jogos virtuais.
O programa permitirá a renegociação de débitos de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e do Fies, com juros limitados a 1,99% ao mês. A medida faz parte do pacote econômico que será detalhado na próxima segunda-feira e mira as famílias endividadas, às vésperas do início da campanha eleitoral. Os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos poderão utilizar parte do FGTS para reduzir o saldo devedor, em uma operação intermediada pelos bancos e autorizada pelo trabalhador junto à Caixa, conforme antecipado pelo ministro Luiz Marinho nesta semana.
No pronunciamento de 1º de Maio, o presidente também reforçou a defesa do fim da escala 6x1 e da redução da jornada semanal para 40 horas sem corte salarial. A proposta que já foi enviada ao Congresso faz parte da estratégia política do governo para aproximar Lula da base trabalhadora em ano eleitoral. O presidente afirmou que a mudança dará mais tempo para descanso, convivência familiar, ida à igreja e qualificação profissional.
"Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos."
Durante os sete minutos da transmissão, o presidente também fez um balanço das ações do governo, citando programas como Luz para Todos, ampliação da licença-paternidade, valorização do salário mínimo e redução de impostos para trabalhadores.
Nesta quinta, em mais um aceno político a caminhoneiros, setor ligado ao agronegócio e ao bolsonarismo, Lula lançou um programa para facilitar a renovação da frota de caminhões e ônibus no país, com foco especial nos motoristas autônomos. A medida prevê novas linhas de financiamento e condições facilitadas para substituição de veículos antigos, em uma tentativa do governo de ampliar o diálogo com as categorias. Durante o discurso, no Planalto, Lula não comentou, as derrotas políticas sofridas pelo governo no Congresso nesta semana, incluindo a rejeição do nome de Messias ao STF no Senado e a derrubada dos vetos do projeto da dosimetria das penas dos condenados pelo 8 de Janeiro.
