Em sua primeira reunião desde as eleições em Israel na semana passada, o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, prometeu nesta terça-feira, 3, que vai formar um governo rapidamente com intuito de tirar do poder o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, evitando a convocação de um novo pleito.
A votação não teve nenhum vencedor claro. Como o Knesset, parlamento israelense, tem um total de 120 cadeiras, é necessário que uma coalizão tenha ao menos 61 para formar um novo governo; o bloco de Netanyahu ficou com 53, o de Eisenkot, com 48, e os dois partidos árabes, com um recorde de 19 — impulsionados pelo descontentamento de sua comunidade com a retórica do governo de extrema direita de Netanyahu.
A coalizão oposicionista mantém divergências sobre uma possível aliança com os deputados palestinos. Nesta terça, os cinco líderes dos partidos de oposição discutiram estratégias políticas em um hotel em Herzliya, ao norte de Tel Aviv, onde mora Eisenkot.
Entre eles estão o B’Yachad, agremiação dos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, que elegeu 12 deputados; o partido Yisrael Beytenu, do ex-ministro da defesa Avigdor Liberman, com sete assentos; e os Democratas, com oito. Continua após a publicidade
Em uma declaração conjunta, o grupo afirmou que seu objetivo é formar um governo “o mais rápido possível e evitar que Israel seja arrastado para outras eleições”. Condições
Os dirigentes mantiveram quatro critérios estabelecidos por Eisenkot como condição para formar um governo. Dois deles se destacam: qualquer partido que integre o governo deve reconhecer Israel como um Estado judeu e condenar o Hamas como grupo terrorista.
Essas condições poderiam excluir alguns deputados árabes. Apesar das divergências sobre vários temas, incluindo o papel dos partidos árabes, todos os líderes do bloco de oposição prometem apoiar Eisenkot na formação do próximo governo.
Continua após a publicidade “Não temos tempo; devemos agir com muita urgência”, declarou Bennett a jornalistas.
Contexto político As pesquisas anteriores às eleições mostravam que os apoiadores da oposição judaica estavam divididos sobre a inclusão de partidos árabes no governo.
Os israelenses de direita se opõem categoricamente a essa possibilidade. Yousef Jabareen, líder do maior partido de maioria árabe no próximo Parlamento, declarou à agência AFP que a oposição precisa aceitar a “realidade política” e se unir para destituir Netanyahu.
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