Em primeira agenda conjunta, Flávio e Tarcísio miram políticas rurais de Lula: ‘O agro não pode ser tratado como vilão’

 

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participaram da Agrishow nesta segunda-feira (27), na primeira agenda pública conjunta dos dois na pré-campanha. Ao chegarem ao local, os dois foram recebidos por aliados políticos locais e também por representantes de entidades do setor agropecuário, e Flávio, usando uma camiseta com a frase "orgulho do nosso agro", ouviu gritos de "presidente". Tarcísio aproveitou o evento para lançar o espaço do Governo de São Paulo na feira, e nesta terça (28) também comparecerá ao evento para anunciar medidas para o agronegócio do estado.

Ao abrirem o espaço, Flávio, Tarcísio e políticos da direita fizeram discursos críticos ao governo federal, especialmente referentes às medidas da gestão Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relacionadas ao agronegócio. Na noite deste domingo (26), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) compareceu ao evento fechado de abertura da Agrishow, representando o presidente, como em outros anos.

As queixas foram centradas na alta taxa de juros, e na baixa oferta de crédito público para os produtores, especialmente os pequenos. Outro ponto destacado por deputados, senadores e prefeitos foi a invasão de terras, fazendo um contraponto entre a política linha-dura adotada pela polícia de Tarcísio em São Paulo e a relação do governo federal com grupos que ocupam terras.

Alckmin anunciou um crédito de R$ 10 bilhões para a compra de tratores, pulverizadores, colheitadeiras e outros equipamentos. Os recursos são geridos pela Finep, uma empresa pública de fomento à tecnologia, e oriundos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Alckmin promete liberação por meio de cooperativas e instituições financeiras credenciadas, com expectativa de juros na casa de um dígito. A nova linha deve começar a operar entre 20 e 30 dias, mas ainda não foram divulgados os detalhes como qual será a taxa de juros ou os critérios detalhados para o crédito.

Em sua fala, Flávio disse se comprometer, caso seja eleito presidente, com "todas as pautas" apresentadas ali, e "valorizar o agro".

--- O agro não pode ser tratado como vilão, o agro não é vilão, é solução para o nosso Brasil. É uma insanidade pisar tanto num setor como esse. O que nós vemos do atual presidente da República é o ódio, uma pessoa que passou pelo que passou, que se diz injustiçada, não aprendeu nada com a vida. Onde já se viu fazer um financiamento de R$ 10 bilhões para comprar maquinário só? Ele não entende que é um setor altamente endividado, produtores rurais que sofreram com seca e com enchente, que não têm capacidade de se endividar mais, que precisa de crédito com juros mais baixos? — disse.

Flávio disse que Lula “não tem sensibilidade” e “asfixia o agro”, citou pequenos e grandes produtores e elogiou as políticas de seu pai, Jair Bolsonaro (PL), relacionadas à regularização fundiária. Ele também elogiou Tarcísio e disse que não teria “ninguém melhor para caminhar ao lado” do que o governador.

— Foram anos e anos sem botar um real de subvenção para o seguro do agro, agora ele bota bilhão e mesmo assim ninguém sabe como, quando, de onde vem, qual os juros. É um programa fantasma, que não resolve a vida de ninguém. É um governo que só se preocupa em colocar narrativas e não se preocupa com a vida das pessoas, como era o governo Bolsonaro — acrescentou Flávio.

Ao discursar, Tarcísio se referiu a Flávio como "o próximo presidente da República", e disse que o agronegócio "vem sendo maltratado" pelo atual governo federal. O governador ainda disse ter acabado com as invasões de terra no estado, e citou medidas de sua gestão voltadas ao setor, como o programa de regularização fundiária.

— Esse agro que fica extremamente vulnerável às questões geopolíticas, e quanto mais a gente precisa de carinho, vem a incerteza e a insegurança. Todos os anos o agro tem que brigar por melhores condições no Plano Safra, por que a gente não consegue repetir os parâmetros? O que está acontecendo hoje, a gente está vendo o crédito cada vez mais caro e incerto, juros cada vez mais altos. E aí vem o governo e anuncia R$ 10 bilhões, e o próprio setor classifica isso como um não-anúncio. Qual vai ser os juros, as condições, quando é que vem? Temos hoje o produtor cada vez mais endividado, e em abril a gente ainda tem o aumento de carga tributária, a retirada de PIS/Cofins sobre os fertilizantes, o aumento da alíquota do Funrural, vem outra cacetada no lombo do produtor — falou.

Maior feira do agronegócio do país, a Agrishow ocorre todos os anos em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e costuma receber políticos que tentam acenar ao agro, especialmente em anos eleitorais. Nesta terça (28), Romeu Zema (Novo) visitará a feira, e na quarta (29) é a vez de Ronaldo Caiado (PSD) marcar presença no evento