Em novo ataque ao processo eleitoral dos EUA, Trump afirma que eleições americanas são 'fraudadas'

 

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novos ataques ao processo eleitoral do país na madrugada de segunda para terça (28). Em publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que as 'eleições americanas são fraudadas, roubadas e motivo de chacota no mundo todo'.

Ele continuou, dizendo que 'ou vamos corrigir isso, ou não teremos mais um país'.

Por fim, o presidente americano defendeu três pontos para que os eleitores republicanos defendam. Entre os pontos estão a apresentação de documento de identificação eleitoral, comprovante de cidadania para poderem votar e sem votos pelo correios, exceto em casos específicos.

Em fevereiro, Trump defendeu que os eleitores republicanos 'assumam o controle' das eleições americanas e 'nacionalizem' a votação. Trump fez esses comentários em uma entrevista com o ex-diretor do FBI, Dan Bongino, em um podcast.

Ele alegou que o voto de não cidadãos estava influenciando indevidamente os resultados das eleições. Apesar disso, especialistas destacam que casos como esses são raros e ilegais.

'Os republicanos deveriam dizer: 'Queremos assumir o poder'. Deveríamos assumir o controle da votação... em pelo menos 15 lugares. Os republicanos deveriam nacionalizar a votação. Temos estados tão corruptos que estão contando votos'.

A Constituição americana concede aos estados a autoridade para conduzir eleições federais, sujeitas às leis aprovadas pelo Congresso. A cláusula eleitoral determina que 'as assembleias legislativas estaduais definirão os horários, locais e formas de realização das eleições para a Câmara dos Representantes e o Senado'.

As eleições deste ano, de meio de mandato, irá eleger os novos representantes de todas as cadeiras da Câmara e 35 do Senado. Atualmente, os republicanos detêm margens estreitas em ambas as casas, mas os ciclos eleitorais de meio de mandato historicamente não são favoráveis ​​ao partido do presidente em exercício.

Aliados de Trump fazem rascunho de decreto que daria poderes extraordinários nas eleições dos EUA, diz jornal

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Divulgação/Casa Branca

Ativistas pró-Trump e aliados do presidente americano, que afirmam estar em coordenação com a Casa Branca, estão divulgando um rascunho de decreto executivo de 17 páginas que alega que a China interferiu nas eleições de 2020. Isso seria utilizado como justificativa para declarar uma emergência nacional, o que liberaria poderes presidenciais extraordinários durante as eleições deste ano para o Congresso.

As informações são do jornal Washington Post, que questionou a Casa Branca, a qual preferiu não comentar o caso.

'De acordo com a Constituição, são as legislaturas e os estados que realmente controlam como um estado conduz suas eleições, e o presidente não tem poder para fazer isso', disse Peter Ticktin, um advogado da Flórida que defende o projeto de decreto executivo.

Segundo a matéria, ele estudou na Academia Militar de Nova York com Trump e fez parte de sua equipe jurídica que entrou com um processo em 2022 acusando os democratas de conspirarem para o prejudicar com alegações de que sua campanha de 2016 teria conspirado com a Rússia.

De acordo com ele, o estado de emergência daria ao presidente o poder de proibir o voto por correspondência e as urnas eletrônicas. Isso por conta da relação com países estrangeiros.

A Diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, faz uma revisão da segurança eleitoral que, segundo autoridades, se concentra na influência estrangeira. Uma revisão de inteligência de 2021 concluiu que a China considerou tentativas de influenciar as eleições americanas, mas acabou não fazendo.

Antes, Trump já mencionou diversas vezes um plano para exigir identificação do eleitor e proibir o voto por correio nas eleições de meio de mandato de novembro.

Ticktin afirmou que o projeto possui uma 'certa coordenação' com funcionários da Casa Branca, mas se recusou a especificar de quem, alegando preocupações com a segurança.

Um funcionário da Casa Branca afirmou ao jornal que a equipe se comunica regularmente com diversos defensores externos que desejam compartilhar suas ideias políticas com o presidente, mas que qualquer especulação sobre suas ações ou anúncios não passa de especulação.

Trump vem pressionando os republicanos a aprovarem uma legislação que exige comprovante de cidadania para o registro eleitoral e documento de identidade para votar. A medida foi aprovada pela Câmara, mas enfrenta obstáculos no Senado, onde os líderes republicanos rejeitaram a exigência de Trump de alterar as regras da Casa para que a legislação avance.