Em meio ao aumento da gripe, os cuidados para adolescentes que treinam e competem
Não há dúvidas que praticar exercÃcios fÃsicos faz bem para a saúde, em especial de adolescentes. Por outro lado, também é preciso saber quando fazer uma pausa e um momento em que isso é fundamental é durante gripes, resfriados e outras infecções.
O outono já é uma estação que por si só favorece o aumento de doenças respiratórias. Dados do boletim Infogripe, da Fiocruz, mostram que a alta de hospitalizações por infecções respiratórias reflete o perÃodo de maior circulação do vÃrus sincicial respiratório (VSR) e influenza A.
Embora adolescentes não façam parte do grupo de risco para a vacinação contra a gripe, por exemplo, e tendem a apresentar apenas um resfriado quando infectados pelo VSR, eles não estão ilesos de risco. Para aqueles que praticam esporte, contrair essas infecções significa ter que ficar afastado de treinos e competições.
— Em qualquer quadro de febre, tosse, sintoma gastrointestinal, dor no corpo, entre outros, o adolescente não deveria participar de nenhuma prática esportiva — diz o médico de esporte e do adolescente Getúlio Bernardo Morato Filho, membro do Grupo de Trabalho de Atividade FÃsica da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
Essa recomendação vai além do risco de transmissão para os colegas de time e da queda no desempenho.
— No indivÃduo que está com infecção, mesmo que seja leve, o organismo não está funcionando de maneira plena. Se é uma infecção respiratória, ele pode ter uma diminuição da sua capacidade respiratória, vai ficar cansado mais rapidamente e, se insiste na prática esportiva, isso aumenta a chance de complicações — diz o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira, gerente médico do Sabará Hospital Infantil.
— O risco é para o próprio adolescente. Nossa grande preocupação é a miocardite (uma inflamação do músculo cardÃaco que pode afetar a capacidade do coração de bombear sangue e causar dor no peito, falta de ar e cansaço). Alguns vÃrus acabam atingindo a musculatura do coração e causando um processo inflamatório. Como normalmente não sabemos com qual vÃrus ele está infetado naquele momento, o ideal é se afastar — afirma Morato Filho.
As sÃndromes gripais causadas por vÃrus em geral causam sintomas leves como dor de garganta, coriza, espirros, tosse, mal estar e febre baixa. Os resfriados duram cerca de dois a três dias e não causam muita sintomatologia sistêmica. Já gripe e Covid são infecções cujos sintomas duram mais tempo, geralmente de cinco dias a uma semana e além das vias aéreas superiores, também causam um quadro maior de prostração. O paciente pode ter dor muscular, febre, cefaleia e sintomas gastrointestinais.
O tratamento de todos esses quadros consiste em muita hidratação, repouso e alimentação saudável. Se houver dor e febre, é possÃvel medicar com um antitérmico. Nos casos gripais, é recomendado lavar bastante o nariz e fazer hidratação da via respiratória com nebulização com soro. Para pessoas com complicações ou risco de complicações em decorrência do influenza, existe um antiviral que pode ser tomado nas 48 horas após os primeiros sintomas de infecção.
A miocardite pode levar a arritmias graves e até mesmo morte súbita. Em caso de gripe confirmada, ou seja, de infeção pelo vÃrus influenza, a orientação é só voltar a praticar qualquer tipo de exercÃcio fÃsico após a resolução dos sintomas e pelo menos 48 horas sem febre. No caso de resfriados, que tendem a ser mais leves, a recomendação é esperar pelo menos até o fim dos sintomas. Isso vale também para infecções gastrointestinais, que causam vômitos e diarreia.
Mesmo depois da resolução dos sintomas, o ideal é que retornar à atividade de forma leve a moderada e progredir a intensidade aos poucos. Essa retomada gradativa é importante porque algumas infecções impactam outros órgãos, como coração e pulmão, e a recuperação nesse caso não é imediata. E a qualquer sinal que sugira que mal-estar, como tontura e náusea, o ideal é parar a prática esportiva imediatamente.
Embora adolescentes não façam parte do grupo prioritário de vacinação contra a gripe pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), é importante se vacinar contra a condição, em especial para evitar casos graves. Isso pode ser feito na rede privada ou na rede pública se o imunizante for oferecido para toda a população, como acontece geralmente.
— É super importante a vacinação, assim como a manutenção de outros hábitos como a higienização das mãos e etiqueta da tosse. Essas são medidas que precisam ser seguidas quando falamos de proteção contra a transmissão de doenças — diz Francisco Ivanildo de Oliveira.
Vacina protege
Além da vacina contra gripe, é fundamental estar com o calendário vacinal em dia, não só para proteger a si mesmo, mas também os companheiros de time.
— Para que a criança consiga chegar adolescência de uma maneira bem protegida, para que ela tenha uma menor chance de adoecer e, com isso, conseguir se exercitar, praticar esportes, principalmente os esportes coletivos, de uma maneira segura, é importante que a criança esteja bem protegida, com todas as vacinas que constam no Programa Nacional de Imunização — diz o infectologista.
No entanto, não é isso que os médicos encontram.
— Uma coisa que eu percebo às vezes no consultório é um atraso vacinal. Os pais não os levam muito ao médico, então acabam esquecendo que existe também o calendário vacinal do adolescente — pontua Morato Filho.
Na adolescência, as vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) são:
HPV
trÃplice bacteriana acelular do tipo adulto (difteria, tétano e coqueluche) ou dupla adulto (difteria e tétano) - a depender do histórico vacinal -
influenza,
meningocócica conjugada ACWY ou C,
meningocócica B
Covid-19.
Para não vacinados ou incompletamente vacinados também são indicadas:
trÃplice viral (sarampo, caxumba e rubéola),
varicela (catapora),
hepatites A, B ou A e B,
febre amarela
dengue.
— É importante que quem pratica atividade fÃsica, seja individual ou coletiva esteja com a vacinação em dia. Não só os pais, mas as instituições que recebem esses adolescentes devem cobrar as vacinas. Isso vai diminuir o risco de afastamento, de redução no desempenho e de lesões graves — afirma Morato Filho.
