Em meio a suspeitas de ataque ucraniano contra desfile em Moscou, Rússia recomenda saída de estrangeiros de Kiev

 

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A Chancelaria russa reiterou um alerta para que embaixadas e representações estrangeiras em Kiev retirem seus funcionários e cidadãos da cidade, em meio a suspeitas sobre um ataque com drones ucranianos contra o desfile do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial em Moscou, no sábado. No começo da semana, o Ministério da Defesa russo ameaçou bombardear a capital ucraniana se houver qualquer tipo de interferência no evento, já sugerindo que os cidadãos de outros países saíssem de lá.

"O Ministério das Relações Exteriores da Rússia insta veementemente as autoridades de seu país/liderança de sua organização a tratarem esta declaração com a máxima responsabilidade e a garantirem a evacuação imediata do pessoal das missões diplomáticas e outras, bem como dos cidadãos, da cidade de Kiev, devido à inevitabilidade de um ataque retaliatório das Forças Armadas Russas contra Kiev, inclusive contra centros de tomada de decisão, caso o regime de Kiev implemente seus planos terroristas criminosos durante a celebração da Grande Vitória", diz o alerta.

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Na semana passada, o Ministério da Defesa russo anunciou que o desfile, que marca a vitória dos Aliados sobre a Alemanha nazista, na Segunda Guerra Mundial, não teria veículos militares "devido à atual situação operacional". Nos bastidores, a decisão foi associada a um possível plano da Ucrânia para atacar a parada com drones, replicando as ações vistas ao redor do país nas últimas semanas — na segunda-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, fez uma referência jocosa aos rumores, respondida de maneira ameaçadora pelas Forças Armadas russas.

"Caso o regime de Kiev tente implementar seus planos criminosos para interromper a celebração do 81º aniversário da Vitória na Grande Guerra Patriótica, as Forças Armadas Russas lançarão um ataque retaliatório maciço com mísseis contra o centro de Kiev", afirmou o Ministério da Defesa, em publicação no Telegram, na segunda-feira, antecipando a recomendação da Chancelaria aos estrangeiros. "Alertamos a população civil de Kiev e os funcionários de missões diplomáticas estrangeiras sobre a necessidade de deixarem a cidade imediatamente."

Em vídeo, no qual comentou o alerta às embaixadas, a porta-voz da Chancelaria russa, Maria Zakharova, criticou a União Europeia por não ter repreendido Zelensky pela menção aos drones, e que se "pensam que podem 'silenciar' as ameaças públicas, varrer para debaixo do tapete as declarações agressivas de Zelensky, por assim dizer, estão redondamente enganados".

— Estamos bem cientes da atitude coletiva da minoria ocidental em relação ao 9 de maio: eles destroem sistematicamente o patrimônio memorial soviético, exumam as cinzas de soldados soviéticos e reescrevem e distorcem a história. Ao armar a Ucrânia, eles são cúmplices dos planos criminosos do regime de Kiev — completou Zakharova.

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O governo ucraniano não se pronunciou. Na segunda-feira, Kiev rejeitou uma proposta russa para um cessar-fogo entre os dias 8 e 9 de maio, e disse que implementaria sua própria trégua, três dias antes.

Drones ucranianos já caíram perto do Kremlin desde o início da guerra, mas ao ameaçar indiretamente o desfile do Dia da Vitória, a Ucrânia avança sobre um dos eventos mais caros ao presidente Vladimir Putin. Desde 2008, o líder russo trata a parada militar como ferramenta de projeção interna e externa de poder, com a demonstração de armamentos pesados, tropas e discursos que, nos últimos anos, trazem ameaças ao Ocidente e referências à guerra no país vizinho.

Segundo analistas, o maior risco não é de um ataque durante o desfile, mas sim contra os tanques, blindados e veículos de transporte antes de entrarem na Praça Vermelha. Daí a decisão de excluí-los.

— Quando equipamentos participam de desfiles, eles são inicialmente estacionados, preparados para o ensaio e, em seguida, para o próprio desfile, em áreas remotas nos arredores de Moscou, em locais especialmente designados — disse Ruslan Leviev, cofundador do projeto de análise militar Equipe de Inteligência de Conflitos, à TV Rain. — Essas áreas seriam muito mais fáceis de atingir com drones ou mísseis. Portanto, os equipamentos são vulneráveis, enquanto pessoas e aeronaves provavelmente não o são.