Em meio à risco do colapso de tropas isrealense, líderes sugerem recrutar judeus ultraortodoxos

 

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O líder da oposição em Israel, Yair Lapid, fez um apelo ao governo nesta quinta-feira (26), cobrando medidas imediatas diante do que classificou como uma crise crescente nas Forças de Defesa de Israel (FDI).

Declaração ocorre após o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, alertar o gabinete sobre o risco de colapso das tropas devido à sobrecarga operacional e à falta de efetivo.

Segundo Lapid, o cenário apresentado por Zamir é grave e indica que o país pode estar caminhando para um esgotamento militar em meio a múltiplos conflitos simultâneos. “O chefe do Estado-Maior apresentou ao gabinete uma série de ameaças, a maioria das quais não pode ser detalhada diante das câmeras, mas a conclusão é a seguinte: o governo está enviando o exército para uma guerra em múltiplas frentes sem estratégia, sem recursos suficientes e com um número insuficiente de soldados”, disse Lapid durante uma coletiva de imprensa.

Diante desse quadro, o líder do partido Yesh Atid defendeu mudanças urgentes, incluindo o recrutamento imediato de judeus ultraortodoxos, grupo historicamente isento do serviço militar obrigatório.

Ele também criticou o que chamou de inação do governo e cobrou uma postura mais firme. Lapid afirmou que é preciso “pare com a sua covardia” e “suspenda imediatamente todo o financiamento aos desertores ultraortodoxos, envie a polícia militar atrás dos desertores e recrute os ultraortodoxos sem hesitação”.

Lapid também destacou a escalada de violência na Cisjordânia, apontando que o Exército tem sido forçado a deslocar parte de suas forças para a região em resposta a ataques de colonos israelenses contra palestinos. Nesse contexto, ele pediu uma atuação mais contundente do Estado. Segundo ele, o governo “deve combater o terrorismo judaico com todos os meios disponíveis”.

O opositor ainda direcionou críticas ao ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, figura da extrema direita israelense, defendendo sua retirada de funções relacionadas à segurança. Lapid afirmou que o governo deveria “destitua a autoridade” de Ben Gvir, “que apoia abertamente terroristas judeus”, e que é necessário “mobilize todos os recursos disponíveis para reprimir a situação”.

Por fim, Lapid ressaltou sua experiência em temas de segurança para reforçar a gravidade do alerta feito pelos militares.

“Durante 13 anos, fui membro de gabinetes de segurança e dos fóruns de segurança mais sensíveis do Estado de Israel”, observa Lapid, alertando que “em todos esses 13 anos, não me lembro de uma advertência tão severa quanto a feita ontem à noite”.