Em meio a relatos de acordo, presidente do Irã afirma que país não cederá às exigências dos EUA

Em meio a relatos de acordo, presidente do Irã afirma que país não cederá às exigências dos EUA

 

Fonte: Bandeira



O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não cederá à 'pressão e exigências excessivas' nas negociações em curso com os Estados Unidos, enfatizando que Teerã pretende defender integralmente os direitos do povo iraniano.

Em discurso a representantes da Câmara de Comércio do Irã, Pezeshkian argumentou que, após o 'fracasso militar', os 'inimigos' do Irã se concentraram na 'guerra econômica'. Portanto, acrescentou, o governo e o setor privado devem abordar essa fase juntos 'com empatia, coesão e cooperação conjunta'.

Pezeshkian, citado pela agência de notícias iraniana IRNA, assegurou que o governo está trabalhando para apoiar a produção e a indústria, garantir o fornecimento de energia às empresas e simplificar as regulamentações para favorecer o setor privado.

O presidente identificou, então, entre as prioridades do Executivo, o crescimento das exportações não petrolíferas, o fortalecimento dos laços econômicos com os países vizinhos e o desenvolvimento da cooperação com organizações como o BRICS.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (25) que nenhum acordo inicial com os Estados Unidos abrangeria o programa nuclear iraniano.

Em vez disso, o tema seria abordado no período de 60 dias de um cessar-fogo após o acordo, que envolveria especialmente a reabertura do Estreito de Ormuz.

Segundo ele, 'é verdade que chegamos a um consenso sobre muitas questões por meio da mediação paquistanesa, mas ninguém pode afirmar que a assinatura de um acordo seja iminente'.

Em declarações posteriores, ele acrescentou que as negociações avançaram, mas que qualquer acordo iminente 'depende dos americanos', afirmando que 'há assuntos muito mais importantes para tratar'.

Baqaei também pareceu criticar o presidente dos EUA e alguns de seus principais assessores, dizendo que o Irã tinha coisas melhores para fazer do que responder a tweets americanos

'Temos assuntos muito mais importantes para tratar, e se gastarmos nosso tempo respondendo aos tweets, fotos e postagens da outra parte, não conseguiremos nos concentrar nessas prioridades'.

Acordo entre Irã e EUA incluiria reabertura de Ormuz e descarte de urâno iraniano, diz TV

Embarcação no Estreito de Ormuz.

PUNIT PARANJPE /AFP

Um projeto de memorando de entendimento em discussão entre o Irã e os Estados Unidos estenderia o cessar-fogo por 60 dias, reabriria imediatamente o Estreito de Ormuz e criaria um mecanismo para o descarte do estoque de urânio enriquecido do Irã, informou a rede de TV americana CBS News, citando dois funcionários familiarizados com as conversas.

Segundo a proposta, que ainda precisa da aprovação do Irã, o país reafirmaria que 'nunca desenvolverá armas nucleares' e concordaria que seu estoque de urânio enriquecido fosse descartado por meio de um mecanismo a ser acordado entre as duas partes.

O projeto também exige que o Irã e os Estados Unidos, juntamente com seus aliados, declarem o fim imediato e permanente de 'todas as operações militares em todas as frentes', incluindo o Líbano, e se comprometam a não iniciar guerra uns contra os outros, nem ameaçá-los ou usar a força.

As questões relativas aos ativos congelados do Irã e às sanções contra a República Islâmica seriam abordadas com base no cumprimento desses compromissos por parte de Teerã, afirmou o relatório.

Um alto funcionário do governo dos EUA 'essencialmente confirmou' a maioria dos pontos relatados à CBS News, mas não confirmou as disposições sobre uma extensão de 60 dias do cessar-fogo ou a declaração que encerra todas as operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, informou a emissora.