Em meio a onda de calor, Europa registra seca no norte da Itália e incêndios florestais na França e Espanha
Incêndios florestais avançam pelo sul da Europa enquanto a seca reduz o nível dos rios e ameaça a agricultura na Itália, em meio a uma intensa onda de calor que já deixou mais de 3 mil mortos na França e na Bélgica.
Com novas temperaturas extremas previstas para este fim de semana, autoridades reforçam o risco de queimadas em diversos países, e meteorologistas alertam que o calor e as condições favoráveis à propagação do fogo devem persistir pelos próximos meses.
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Na França, mais de 2 mil bombeiros estão lutando para conter os incêndios florestais que devastaram casas e acampamentos no sul do país, forçando milhares de pessoas a deixarem suas casas.
As equipes de bombeiros avançaram durante a noite no combate a um dos maiores focos de incêndio, que já consumiu mais de 12 quilômetros quadrados nos departamentos mediterrâneos de Hérault, Aude e Bouches-du-Rhône, disse o coronel Alexandre Jouassard, porta-voz da Agência de Segurança Civil da França, à BFMTV.
A França registrou cerca de metade da precipitação média em junho, segundo meteorologistas da Météo-France, o serviço meteorológico governamental francês.
O solo e a vegetação ressecados após duas ondas de calor consecutivas e temperaturas recordes para o mês de junho criaram as condições ideais para incêndios perigosos e de rápida propagação.
Sestroços e carros carbonizados no camping 'Le Brasilia', um dia após um incêndio ter começado em Canet-en-Roussillon, no sul da França, em 3 de julho de 2026
JEAN-CHRISTOPHE MILHET / AFP
Uma nova onda de calor deverá começar neste fim de semana, com as temperaturas a aumentarem ao longo do domingo e as máximas a atingirem os 38°C no sul do país, de acordo com Sylvain Mondon, responsável de serviço da direção-geral da Météo-France.
A ameaça de temperaturas extremas e incêndios florestais de grande intensidade deverá persistir por meses, com modelos climáticos e meteorológicos de longo prazo indicando risco de episódios repetidos de alta pressão em todo o continente que aquece mais rapidamente no mundo, disseram meteorologistas da Météo-France.
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No ano passado, os piores incêndios em 70 anos devastaram vinhedos e fazendas na região, afetando mais de 170 quilômetros quadrados.
Cerca de 30 incêndios florestais estão ativos atualmente, com seis departamentos do sul em alerta vermelho neste fim de semana.
Espanha
Enquanto isso, na Catalunha, região no nordeste da Espanha, centenas de bombeiros combateram um incêndio florestal nesta sexta-feira perto da popular região turística da Costa Brava, no Mediterrâneo, obrigando milhares de pessoas a permanecerem confinadas em suas casas.
O incêndio foi declarado pela manhã perto do município de La Bisbal d'Empordà, no nordeste da província de Girona, a cerca de vinte quilômetros da costa do Mediterrâneo.
Ventos fortes alimentaram as chamas e levaram as autoridades regionais catalãs a pedir aos moradores de 10 municípios que ficassem em casa, incluindo a popular estância balnear de Platja d'Aro.
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A ministra do Interior do governo regional da Catalunha, Núria Parlon, afirmou que as chamas já haviam devastado 1.280 hectares e que mais de 200 membros da Unidade Militar de Emergência estavam a caminho.
Suas tarefas incluirão "garantir a cobertura em caso de incidentes simultâneos", um cenário com "alta probabilidade", acrescentou ela.
Incêndios florestais mortais devastaram quase 400 mil hectares de terra no ano passado, o maior número já registrado no país pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais.
Alerta amarelo
Uma nova onda de alta pressão e calor também é possível neste fim de semana no Reino Unido e na Espanha, de acordo com o Met Office e a agência meteorológica espanhola AEMET.
Até 10 de julho, as temperaturas em Londres devem ultrapassar os 30°C, segundo modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.
As condições de incêndio também estão piorando na Grécia, Portugal e Espanha.
Alertas amarelos de incêndio abrangem Atenas e a metade sul do continente, juntamente com Creta e Rodes.
As autoridades desses países intensificaram a fiscalização das leis destinadas a prevenir incêndios, sejam eles acidentais ou provocados.
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Os bombeiros também estão correndo contra o tempo para controlar os incêndios em Portugal.
A Autoridade Nacional de Proteção Civil de Portugal intensificou o patrulhamento contra incêndios, restringiu o acesso público às florestas e proibiu fogos de artifício e a queima da maioria dos resíduos.
Em meados de julho, cerca de 250 bombeiros do Mecanismo Europeu de Proteção Civil serão enviados à Grécia para se prepararem para o pico da temporada de incêndios no Mediterrâneo, informou o Ministério da Proteção Civil na quinta-feira.
Mais de 500 bombeiros do serviço europeu também serão enviados para França, Espanha, Itália, Chipre e Portugal até setembro.
Seca na Itália
Em meio à onda de calor, diversos cursos d'água no norte da Itália estão em "situação crítica" devido à seca, e a previsão do tempo não é animadora para os próximos dias, alertou na sexta-feira a Autoridade do Rio Pó (ADBPO).
A região do Vêneto declarou estado de emergência na quinta-feira devido à seca.
Chuvas leves provocaram uma queda nas temperaturas na quarta e quinta-feira, mas o calor deve retornar nas próximas horas.
Caso não volte a chover, a administração da região do Pó está considerando a adoção de "medidas obrigatórias", como a limitação da irrigação, enquanto o calor seca os campos.
Uma vista aérea mostra um banco de areia no Rio Pó, em Pontelagoscuro, nordeste da Itália, em 25 de junho de 2026
STEFANO RELLANDINI / AFP
Ao pé dos Alpes, o Lago Maggiore está perdendo 4 centímetros de água por dia e já se encontra com 48% de sua capacidade.
No Piemonte, "os cursos de água estão em situação precária e estão sendo registrados problemas para o setor agrícola, que é obrigado a tomar decisões sobre quais culturas colocar em produção", indicou o ADBPO.
Perto de Cremona, no centro da planície, parte do leito do Rio Pó estava seco na sexta-feira e bancos de areia estavam se tornando cada vez mais visíveis, observou um jornalista da AFP.
No delta do rio, a água salgada do Mar Adriático fluía 25 quilômetros rio acima, dificultando parcialmente a irrigação dos campos.
Número de mortos
A intensa onda de calor que atingiu a Europa no final de junho causou mais de 3.000 mortes adicionais na França e na Bélgica, de acordo com dados provisórios divulgados nesta sexta-feira, enquanto se prevê que as temperaturas voltem a subir.
Esta onda de calor é a mais intensa já registrada na Europa, com temperaturas que seriam "virtualmente impossíveis" em junho sem as mudanças climáticas, de acordo com climatologistas da World Weather Attribution.
Um homem toma banho na praia ao longo da "Promenade des Anglais" na cidade de Nice, na Riviera Francesa, em 26 de junho de 2026
VALERY HACHE / AFP
Segundo uma análise da AFP, dois terços dos habitantes da Europa, ou seja, cerca de 410 milhões de pessoas, registaram temperaturas acima dos 35°C pelo menos uma vez durante a onda de calor entre 15 e 30 de junho.
Alemanha, Polônia, Eslováquia, República Tcheca e Hungria registraram recordes históricos de temperatura, enquanto o Reino Unido e a Suíça tiveram o junho mais quente de sua História, assim como a França.
As autoridades começaram a divulgar os números de mortes.
Na França, o número de óbitos aumentou em quase 30% na última semana, representando 2.025 mortes adicionais em comparação com a semana anterior, segundo a agência de saúde pública.
A estimativa baseia-se apenas em certidões de óbito eletrônicas, que representam pouco mais da metade das mortes no país, portanto, segundo a agência, esse número é "indubitavelmente inferior ao número real".
O aumento "sem precedentes" de mortes na Bélgica foi de 39%, um acréscimo de aproximadamente 1.222 óbitos entre 18 e 29 de junho, segundo o governo federal belga.
"A onda de calor foi excepcional", enfatizou o governo na sexta-feira.
Maria Rosel, de 94 anos, conversa com o coordenador municipal da Proteção Civil, Filipe Almeirante, enquanto se refugia em sua casa devido às altas temperaturas que atingem a região, em 3 de julho de 2026, em Vale de Figueira, Santarém, Portugal
HENRIQUE CASINHAS / AFP
A Espanha já atribuiu pelo menos 1.028 mortes ao calor em junho, o dobro do número registrado no mesmo mês de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto de Saúde Carlos III.
A avaliação do impacto da onda de calor levará meses.
Os episódios de 2003 e 2022 causaram a morte de aproximadamente 70 mil e 61 mil pessoas, respectivamente, na Europa, principalmente entre os idosos.
Com Bloomberg e AFP.
