Em meio a embates regionais, Trump receberá líderes de direita da América Latina em Miami
O presidente dos EUA, Donald Trump, realizará uma reunião de cúpula com lideranças alinhadas da América Latina em Miami, no dia 7 de março, afirmou um funcionário da Casa Branca à AFP nesta quarta-feira. Sem dar detalhes sobre o que estará à mesa, ele indicou que o convite deve ser feito aos presidentes da Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras em um momento complexo das relações entre a Casa Branca e o continente. O governo americano e os países citados não se pronunciaram.
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No começo de dezembro passado, a nova estratégia de segurança nacional dos EUA trazia uma ênfase poucas vezes vista em tempos recentes, retomando conceitos da Doutrina Monroe (“América para os americanos”) e sinalizando que a tolerância à influência de forças consideradas hostis (especialmente a China) ou a dissidências seria pequena.
Isso foi visto na Venezuela, onde a pressão militar — a maior em décadas no Caribe — culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro, citado como líder cartel do narcotráfico,ataques a barcos acusados de transportarem drogas e ameaças a outros líderes, como o presidente colombiano, Gustavo Petro (a quem Trump recebeu depois na Casa Branca).
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Após a queda de Maduro, seus aliados chavistas permaneceram no poder, mas agora com uma pauta alinhada à Casa Branca e que tem na exploração do petróleo um grande protagonista. Os americanos passaram a supervisionar a venda do produto e esperam impulsionar o ritmo de extração. Por outro lado, cortaram o suprimento a Cuba, um regime visto como hostil por Washington, provocando uma grave crise energética.
Entre os convidados, não são esperadas críticas a seu novo corolário. Nayib Bukele, líder de El Salvador, é aliado do republicano em sua política migratória, recebendo centenas de imigrantes em sua megaprisão, o Cecot, onde denúncias de maus tratos se acumulam. No Equador, Daniel Noboa,outro líder alinhado ao trumpísmo, tentou viabilizar a instalação de bases militares americanas, mas a proposta foi derrotada em referendo no ano passado.
No Paraguai, Santiago Peña se refere com frequência ao republicano, e na Argentina, Javier Milei é mais do que um aliado, mas um fã de Donald Trump, que desempenhou um papel direto nas eleições legislativas do ano passado. E há os recém-chegados ao posto, como Nasry Asfura, que tinha como plataforma de campanha o fortalecimento dos laços de Honduras com os Estados Unidos, e Rodrigo Paz, cuja eleição marcou o fim de mais de 20 anos de domínio da esquerda na Bolívia.
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Embora a Casa Branca não tenha divulgado a pauta da reunião de Miami (ou tampouco confirmado o encontro), é certo que ela incluirá a imigração, tema prioritário para o republicano mas que hoje se demonstra espinhoso devido à violência dos agentes federais nos EUA. Enquanto Bukele aceitou receber e enclausurar os deportados por Trump, não há muitos candidatos a seguir seu exemplo: no ano passado, Noboa disse que só aceitaria equatorianos vindos dos Estados Unidos. Mas no mês passado, o jornal New York Times revelou que a Argentina negocia o recebimento de imigrantes de outros países da América do Sul — tal como Trump, uma das bandeiras de Milei é a imigração.
Dos convidados para Miami, três países (Argentina, Paraguai e El Salvador) foram chamados e aceitaram fazer parte do Conselho da Paz, uma iniciativa de Trump inicialmente pensada para resolver o conflito na Faixa de Gaza, mas que pretende se tornar uma espécie de “espelho” do Conselho de Segurança da ONU. A primeira reunião está marcada para a semana que vem, em Washington. O Brasil foi convidado, mas ainda não disse se fará parte.
