Em meio à definição de candidaturas nos estados, PSOL decidirá sobre federação com o PT no início de março

 

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Com a definição de candidaturas e articulação das chapas estaduais, o PSOL definiu que deliberará sobre a proposta de formação de uma federação com o PT durante um encontro marcado para o dia 7 de março. A decisão foi comunicada pela presidente nacional da sigla, Paula Coradi, durante uma reunião entre dirigentes da sigla nesta quarta-feira. A proposta de união dos dois partidos foi formalizada pelos petistas no final do ano passado e tem dividido opiniões entre os correligionários.

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— O debate sobre a federação é legítimo e tem sido feito no partido. Internamente, ele será deliberado na reunião do nosso diretório nacional, em 7 de março — disse Paula na ocasião. — Independentemente de composição em uma nova federação, temos que ressaltar que o PSOL esteve, neste terceiro mandato, ao lado do presidente Lula em pautas relevantes para o povo brasileiro e se posicionou na linha de frente no combate à extrema-direita, tanto nas ruas quanto na Câmara dos Deputados, além de ter dois ministérios no governo. E esses compromissos estão mantidos para 2026.

Atualmente, a sigla já é federada à Rede, mas tem representantes na Secretaria-Geral da Presidência, comandada por Guilherme Boulos (SP), e no Ministério dos Povos Indígenas, com Sonia Guajajara (SP), além de estar na frente combativa base do governo no Congresso. Vista como uma forma de manter aliados próximos a Lula em outubro deste ano, também seria uma forma de empurrar os petistas mais para a esquerda, após sinalizações e aproximações do partido na Câmara com o Centrão.

Dentro de alas do PT, no entanto, a proposta é vista com desconfiança e dividiu opiniões durante um encontro de dirigentes em São Paulo na última segunda-feira, como mostrou o GLOBO. Na ocasião, enquanto o deputado federal Jilmar Tatto classificou a união como um "sonho", vislumbrando o fortalecimento da bancada com nomes como a deputada Erika Hilton (PSOL-SP), o deputado Carlos Zarattini e o ex-ministro José Dirceu demonstraram ceticismo.

Zarattini lembrou ataques recentes do PSOL ao PT em questões regionais, como a Hidrovia do Tapajós, enquanto Dirceu mencionou a resistência de alas psolistas, como a de Valério Arcary, que podem "atrapalhar mais do que ajudar". Já o presidente nacional do partido, Edinho Silva, reforçou o papel de protagonista do PT e minimizou as contradições internas da legenda vizinha, que será desafiada neste ano pela sigla vizinha.

Edinho também esteve presente na reunião do PSOL nesta quarta-feira, junto ao secretário-geral do partido, Henrique Fontana, do secretário de Organização, Laércio Ribeiro, e do secretário de Comunicação, Éden Valadares.

Durante a ocasião, também foram discutidas alianças entre as duas siglas que estão em construção em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. Entre as principais apostas, está a indicação da ex-deputada Manuela D'Ávila para o Senado no RS, em uma composição cuja cabeça de chapa é disputada pelo presidente do Conselho Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto, e pela ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), neta do ex-governador Leonel Brizola.