Em julgamento por estupro e agressão, Russell Brand é apontado como 'predador implacável e manipulador'

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

Começou na última segunda (12) o julgamento do comediante britânico Russell Brand, que responde a sete acusações de estupro e violência sexual nos tribunais do Reino Unido. Brand, de 51 anos, é acusado de forçar mulheres a praticar atos sexuais, beijá-las e apalpá-las. Os crimes teriam ocorrido entre 1999 e 2009, anos em que a carreira de Brand começava a deslanchar.

Russell Brand: após revelações da imprensa, polícia de Londres confirma 5ª queixa contra ex de Katy Perry por agressão sexual Russell Brand, ex de Katy Perry, nega acusações de abuso sexual: 'litania de ataques agressivos' No julgamento, a promotora Riel Karmy-Jones classificou o comediante como um "predador sexual implacável, calculista e manipulador" e disse que mulheres relataram à polícia que ele era "infantil em sua expectativa de que todos os seus desejos fossem atendidos", segundo o jornal "The Guardian".

As vítimas do comediante apontam que Brand riu delas depois que tentaram repelir suas investidas, enquanto membros do grupo de convivência do britânico foram acusados ​​de não intervir para impedi-lo. A primeira vítima conheceu Brand na conferência do Partido Trabalhista de 1999 em Bournemouth. Ela conta ter sido estuprada pelo comediante em seu quarto de hotel após ele tirar a roupa e imitar desajeitadamente passos de avestruz "ao estilo de Basil Fawlty". Segundo o tribunal, ela conheceu Brand em um show de cabaré e inicialmente pensou que ele fosse gay, mas de volta ao quarto de hotel, ele a forçou a deitar na cama e a estuprou. Em seguida, o comediante "se comportou como se nada tivesse acontecido", disse Karmy-Jones. Sobre esse mesmo episódio, Mark Pinheiro, ex-amigo de Brand, disse ao Tribunal que se lembra do comediante "encolhido" no banco de trás do carro ao ouvir as sirenes da polícia enquanto saía de Bournemouth. Ele testemunhou que Brand não voltou para casa naquela noite e estava "atordoado" e ansioso para ir embora na manhã seguinte. Pinheiro disse que Brand lhe contou sobre ter feito sexo com uma mulher e que ele comentou: "Acho que talvez tenha ido um pouco longe demais". Outra vítima trabalhava na MTV com Brand. Ela relata que o comediante tentou arrastá-la para um banheiro no início dos anos 2000, depois que ela elogiou sua camiseta "I Am Spartacus" (Eu Sou Spartacus). Já uma funcionária de uma estação de rádio afirma que Brand "riu baixinho" após beijá-la e apalpá-la enquanto membros de sua equipe assistiam. O caso teria acontecido na própria estação de rádio em meados dos anos 2000. A vítima conta ter sido pressionada contra uma parede e agredida sexualmente em um ataque "rápido e frenético".

Karmy-Jones aponta que o comediante “imediatamente a agarrou pelo rosto com as duas mãos” e “a empurrou contra a parede, onde a beijou ‘de forma desleixada e agressiva’”. A promotora acrescentou: “Durante a agressão, ele também a apalpou agressivamente pelos seios, laterais e nádegas”. Já em 2004, em um bar do Soho, mais uma vítima afirma ter sido apalpada por Brand e, em seguida, ter visto um "sorriso grande e estranho" em seu rosto. Ela lembra que ele a arrastou para um banheiro e a estuprou, ignorando seus protestos e dizendo "vamos lá, não seja estraga-prazeres, você quer". Outra mulher relata ter sido estuprada por Brand em sua casa em Hampstead. Ela havia tido relações sexuais consensuais com o comediante anteriormente, logo depois de conhecê-lo em um show de stand-up no Hammersmith Apollo em 2009. Ela afirma que o comediante a estuprou e relata à polícia que no ano seguinte o encontrou novamente e, então, recebeu um pedido de desculpas por mensagem de texto. A última vítima, uma funcionária do Channel 4, acusou Brand de agressão sexual durante as filmagens de um projeto em 2009. Ele teria sido "amigável e gentil" no início das filmagens, mas ficou irritado, e membros de sua equipe sugeriram que a mulher fizesse uma massagem em Brand. Ela afirma ter se recusado, mas, mesmo assim, foi coagida a fazer a massagem. Foi então que Brand colocou a cabeça diretamente na virilha da mulher.

O julgamento está agendado para durar até 10 semanas, então o júri pode não ter um veredito até dezembro. Caso seja condenado por estupro, Brand pode receber até a pena máxima de prisão perpétua — sem direito à flexibilização do regime, segundo a legislação britânica. Investigação interna Depois das primeiras acusações, a BBC iniciou uma investigação interna para analisar as interações entre seus funcionários e Russell Brand, que apresentou um programa de rádio da rede britânica entre 2006 e 2008. resultado estava em um relatório divulgado em janeiro de 2025, que apontou um "comportamento inaceitável" do comediante. “Deveriam ter existido sistemas melhores para garantir que o comportamento inaceitável de Russell Brand fosse prontamente identificado e tratado, e que todos os envolvidos se sentissem capazes de levantar quaisquer preocupações”, admitiu a BBC por meio do documento escrito por Peter Johnston, seu diretor de queixas editoriais e revisões. Foram entrevistadas pelo departamento de Johnston 39 pessoas que trabalharam com Brand e forneceram detalhes sobre vários encontros com ele. O texto aponta que Brand “enfiou os dedos” na “calça e na roupa íntima” de uma colega de trabalho; que ele seguiu uma mulher que não era funcionária da BBC até um banheiro e mostrou seu pênis para ela; e que teve relações sexuais com alguém que estava visitando a BBC após ganhar um concurso de rádio. A pessoa afirmou que o sexo foi consensual, mas que Brand “abusou de sua posição e se aproveitou dela.” Em uma das reclamações registradas durante seu período na emissora, um funcionário relatou que Brand urinou em uma garrafa e jogou objetos com raiva contra uma tela enquanto gravava um episódio. Embora o incidente tenha sido formalmente denunciado ao gerente do funcionário, a investigação concluiu que “nada foi feito a respeito.” A natureza da segunda reclamação não foi detalhada. Muitos colegas de trabalho de Brand ficaram incomodados com seu comportamento, segundo o relatório, mas “sentiam que não valia a pena reclamar, pois acreditavam que não seriam ouvidos.” Por Brand ser considerado um “apresentador de alto perfil,” eles disseram que acreditavam que ele “tinha o apoio da administração da emissora.” Brand alega que era viciado em sexo Brand se declarou inocente de três acusações de estupro, três de agressão sexual e uma de atentado ao pudor. Ele afirma que todo contato sexual foi consensual e pretende sugerir que suas acusadoras "reinterpretaram" os encontros que tiveram com ele após verem reportagens na mídia sobre sua suposta conduta sexual imprópria. Em uma entrevista ao podcast da comentarista conservadora Megyn Kelly em abril, o ator alegou que, apesar de já ter sido "viciado em sexo", todo o seu comportamento passado teria sido "consensual e, por isso, não-criminoso". Em audiências preliminares, ele já havia se declarado inocente. Ainda antes do julgamento, ele afirmou repetidamente em vídeos publicados em suas redes sociais e em entrevistas à imprensa que jamais havia se envolvido em atividade sexual não consensual.

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