Em jantar sem Alcolumbre e com Zanin, Messias se reúne com senadores e reforça busca de votos ao STF

 

Fonte:


O advogado-geral da União, Jorge Messias, participou na noite de quarta-feira de um jantar com senadores no Lago Sul, em Brasília, em mais um movimento para destravar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, que contou com a presença do ministro Cristiano Zanin, foi usado para mapear votos e medir o ambiente político na Casa.

Messias foi convidado para um encontro semanal entre senadores, movimento que já havia ocorrido com os outros indicados de Lula ao STF no teceiro mandato — o próprio Zanin e o ministro Flávio Dino. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não participou.

Em tom descontraído, segundo relatos, Zanin relembrou sua própria indicação e disse estar com “saudades” da convivência com os senadores.

Messias chegou acompanhado do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Ao longo da noite, cerca de 40 senadores passaram pelo local, entre eles Soraya Thronicke (PSB-MS) e Sérgio Petecão (PSD-AC).

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) chegou a confirmar presença, mas não participou. A bancada do Progressistas foi a mais ausente depois do PL. O motivo é que estavam reunidos no mesmo horário em um jantar próprio.

STF incompleto e argumento político

Segundo relatos de participantes, o principal eixo das conversas foi a necessidade de recompor o Supremo, hoje com uma cadeira vaga, e evitar um cenário de maior imprevisibilidade institucional.

Entre os presentes, circulava o argumento de que, caso Messias fosse reprovado, “alguém pior” poderia ser indicado no lugar. Esta linha de convencimento vem sendo usada por aliados para tentar reduzir resistências e atrair votos de parlamentares que ainda não declararam posição publicamente.

Dosimetria e ambiente no Congresso

Outro tema presente foi o veto presidencial ao projeto da dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, tratado por parte dos senadores como possível instrumento de “pacificação” política.

A defesa é de que a análise ocorra o mais breve possível, em uma tentativa de acalmar a oposição. Neste contexto, Messias poderia enfrentar um cenário de menos atrito.

A discussão ocorre após Alcolumbre sinalizar ontem que pretende convocar sessão conjunta “o mais rápido possível” para analisar o tema, após meses evitando se comprometer com um calendário.

Placar e resistências

Apesar da intensificação da articulação, o cenário segue aberto. Messias ampliou apoios, mas ainda não atingiu os 14 votos necessários na CCJ, de acordo com levantamento do GLOBO.

Nos bastidores, aliados estimam um potencial de cerca de 48 votos no plenário — margem considerada suficiente, mas sujeita a oscilações devido ao caráter secreto da votação.

A resistência, segundo interlocutores, está concentrada em um grupo de cerca de 15 senadores mais alinhados à oposição e na influência do presidente do Senado sobre parte dos indecisos.

Bastidor e estratégia

O encontro foi organizado pelo senador Lucas Barreto (PSD-AP), conterrâneo de Alcolumbre, que preparou peixe e serviu suco de cupuaçu. Para aliados de Messias, o jantar cumpriu papel relevante na reta final da articulação: medir resistências, ajustar discurso e avançar sobre votos ainda indefinidos. A avaliação é de que a ofensiva deve continuar nas próximas semanas, com novas rodadas de conversas reservadas.