Em Israel, civis relatam tensão e correria após ofensiva contra o Irã

 

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Os ataques deste sábado (28) no Oriente Médio levam medo e interrompem a rotina dos habitantes de cidades em diversos países da região.

Israelenses tiveram que correr para abrigos em todo o país ainda de madrugada, quando sirenes alertaram para ataques de mísseis iranianos em retaliação aos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

À CBN, o mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil-Israel, João Miragaya, contou sobre os momentos seguintes aos avisos das sirenes. Ele mora em Israel.

"A gente acordou agora em Israel com esses ataques. Na verdade, a gente acordou com um alarme preventivo do Ministério da Defesa anunciando que Israel havia atacado o Irã e, portanto, que a população deveria ficar em alerta para possíveis ataques, que não demoraram muito para acontecer. A gente ficou uma hora e meia debaixo de chuva de mísseis, vamos dizer assim, que atingiram um lugar, a maioria foi interceptada, no norte de Israel, na cidade de Kiryat Ata e em Carmiel, ao sul de Haifa. As orientações são as mesmas no país inteiro: ficar próximos a um lugar protegido, um abrigo."

Na manhã deste sábado (28), as ruas de Jerusalém Oriental estavam praticamente desertas. A notícia dos ataques ao Irã surpreendeu muitos, apesar dos alertas de autoridades locais e das crescentes ameaças do presidente Trump de que tais ataques poderiam ser iminentes de acordo com relatos colhidos pelo The New York Times.

Quando as sirenes soaram, as pessoas seguiam suas vidas normalmente em Israel. As crianças estavam na escola, muitas pessoas seguiam os serviços religiosos do Shabat, e outras ainda usavam pijamas quando foram despertadas pelos sinais de ataque.

O jornalista Michel Gaveno falou com a Globonews direto de Tel Aviv sobre a situação. Enquanto falava, uma sirene foi acionada e ele precisou se dirigir pra dentro do abrigo.

"Agora começa a tocar a sirene. Eu vou descer até o abrigo, e vocês me acompanhem. Aqui embaixo funciona um estacionamento, e nesse estacionamento há um espaço apropriado para defesa contra mísseis que chegam do Irã. A partir do momento em que as sirenes soam aqui no centro de Tel Aviv, há cerca de dois minutos para se procurar um abrigo antiaéreo. As sirenes vêm tocando em Israel desde o início da manhã, desde que Israel e os Estados Unidos lançaram o ataque contra o Irã, principalmente no norte de Israel."

Já o brasileiro José Nudelman mora em Karmiel, no norte de Israel, e contou também à Globo News o momento do aviso das sirenes. Ele está com a família em um bunker.

"A gente recebeu agora o sistema de alerta. Ele é acionado quando Israel detecta o lançamento de míssil do Irã; antes de o míssil chegar, a gente é alertado. Recebemos esse aviso e entramos aqui no quarto de segurança e, felizmente, não houve nada, mas sempre é um momento tenso. Dessa vez, a gente sabia que poderia ocorrer um ataque iminente."

Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também há relato de muita tensão por causa dos mísseis iranianos sobre o céu da cidade. Os principais pontos turísticos, como o Burj Khalifa, foram fechados. As áreas de lazer pela cidade também ficaram vazias. O aeroporto de Dubai, maior hub de voos internacionais, foi fechado e ficou com saguões lotados de viajantes sem terem pra onde ir.

No Teerã, na capital do Irã, relatos de pessoas que vivenciaram o ataque dos Estados Unidos e de Israel dão conta de moradores saindo às pressas, pais indo buscar filhos nas escolas enquanto as explosões atingiam a capital e motoristas abandonando carros no meio de vias de acordo com o The New York Times.

Um empresário de Teerã, contou que estava no escritório com diversos funcionários quando ouviram duas explosões. Segundo ele, empregados saíram correndo e gritando do prédio.

Moradores relatam a passagem de grandes grupos de caças militares sobrevoando a cidade enquanto a população corria em desespero pra se proteger dos ataques. Muita gente saiu dos prédios e, nos congestionamentos, pessoas também abandonavam seus carros.

O NYT registrou, no entanto, iranianos contrários ao regime dos aiatolás.

A capital iraniana é muito densamente povoada, com quase 10 milhões de habitantes.